Porque todas as vezes me torturo perguntando-me “Eu não sou
suficiente?”
Pensando se há realmente algo de errado e nunca encontro uma
razão lógica
A minha mente torna-a aceitável, mas não é acima disso
Eu preciso esperar pelos meus catorze e pegar nas minhas
palavras quebradas e
Atirá-las a quem merece
É sempre a mesma tortura
O mesmo sofrimento sem saber se há volta e fim
Pensar se haverá alguém capaz de me amar com todas as minhas
fotos feias existentes
Saber que terei de ter cuidado com muitas pessoas
Porque elas se magoaram e querem magoar os outros para
consolo
Querido, eu queria poder pegar em todas as facas
ensanguentadas e espetá-las em seus corações
Fazer uma lista de quem eu já consegui o que queria
Mas isso seria psicopata, certo?
De todos as vergonhas das quais não posso fugir
Eu olho e penso o que há de errado comigo.
Se será o facto de eu ter peito e ser bem comportado ou
porque simplesmente sou uma peça a mais
Eu preciso de respostas, mas só encontra perguntas e mais
perguntas
Como é possível ter sempre uma dúvida para esclarecer?
Quando o Sol irá brilhar na minha Vida?
É sempre uma luta interna sem perdedor ou vencedor
É sempre uma tristeza me consumindo e me impossibilitando do
que realmente fazer.
Uma doença pela beleza, conforto e perfeição
Eu destruiria todos os meus troféus e lutariam por alguém
que me dissesse algo real
Desistiria para ter um sorriso na sua cara
Mas agora que você não me conhece mais, eu não correria mais
atrás
Esperarei aqui, quieta, até que você aprenda como é a Vida.
Esperarei até algo de bom e arrebatador me aconteça
Espero esfregar isso na sua cara e dizer “Eu consegui, mas
você não esteve lá para me apoiar.”
Eu não sou o suficiente para si?
Eu não sou o suficiente para mim?
Porque eu sempre me desiludo comigo mesma ao invés de
consigo
Sempre me torturo a pensar que a culpa é minha
Eu não sou o suficiente?
Texto - Explicação:
Eu queria gritar-lhes, bater-lhes, tritura-los… Eu odeio-os do fundo do meu coração.
Eu costumava falar que a minha turma de 5º e 6º ano era uma treta e enfim. Mas e este ano? O que é isto?
Eu estava a passar todos os almoços sozinha. Porque a Mariana decidiu do nada abraçar as outras, jogar Voleibol com elas e fazer amizades com a turma nova do 7ºC / 6ºB. Isso chocou-me, porque ela simplesmente me deixou pendurada e na aula de espanhol desse mesmo dia, ela puxou a mochila que estava na nossa mesa e passou-a para a frente com a Helena.
Eu pensei seriamente “Eu não sou o suficiente?” e ela não se explicou nem disse “Não te importas?”. Ela simplesmente foi e me deixou lá em baixo. Colocou-me de castigo com uma dúvida “Eu não sou suficiente? Há algo de errado comigo?”. Eu quis chorar, só que não pude.
O que há com os outros? Bom, eu sinto que eles pensam que eu sou uma peça a mais. Eu sinto o ódio ou até mesmo o desgosto, tanto deles como delas.
Eles me odeiam por ser feia, gorda, possuir espinhas, possuir sinais, roupas fora da época, me esconder… Eu acho. Elas me odeiam porque eu não sou como elas, isto é, faladora, problemática, falar sobre coisas que acho necessárias na minha idade.
Sem falar daqueles que não são da minha turma…
Posso imaginar o que dizem nas minhas costas.
Hoje, houve essas cenas de me odiarem. 1ª Eles acham que sou santa, porque se falo um palavrão olham torto. Na aula de espanhol, nem foi preciso falar palavrão só mesmo “69”
O pior de hoje foi, o Pedro é péssimo em E.F, mas defendeu os golos de hoje. No balneário, como ninguém era da minha equipa houve alguém que disse “… blá, blá, blá Cidália… blá blá blá” e a Mara virou-se e disse “Nem ao Pedro marcaram.” E depois disseram algo e pararam.





