E Se Eu Sentasse Na Cadeira Ao Teu Lado?




        Sinopse: Kimberly Hundson Bennet Ricci de 17 anos sempre foi uma garota habituada à má sorte, a uma família nada convencional e estar familiarizada com a ideia de que só alguns de nós somos destinados a um amor verdadeiro.
Adam Martín Kinney Walter de 22 anos nunca teve de se habituar à má sorte, nem a uma família muito fora do comum, apenas a alguns desamores.
Ela espera que a sorte traga a felicidade de um amor verdadeiro e ele que os desamores desapareçam com a má sorte.

          Personages:
  • Kimberly Hundson Bennet Ricci, 17 anos
  • Adam Martín Kinney Walter, 22 anos
  • Kelly Amber Bennet Miller, 34 anos
  • Millena Tompson Campbell, 22 anos

         NOTA IMPORTANTE: Os personagens não possuem foto, pois pede-se ao leitor que viaje na sua imaginação.
          Os restantes personagens não serão tão citados e importantes quanto os citados acima.

I
We Know Each Other?
Publicado em: 24/03/2015


I can feel it rising
Temperature inside me
Haven't felt it for a lifetime
− Kelly Clarkson in Heartbeat Song

Friday, 11:17 a.m. School Of Saint Elizabeth, California
As coisas não eram, digamos, fáceis naquela escola. Não eram "cool's", todos tinham uma ponta de interesse por algo material, mas se houvesse alguém disposto a ajudar-te sem algo em troca, parabéns! Encontras-te um amigo para a vida.
As pessoas olhavam torto para quem era novo na escola, Kimberly. Ela não era rica, mimada, interesseira, ou outra coisa qualquer terrível na sua personalidade. Quer dizer, claro que ela tinha defeitos, mas não estes.
Sempre assim foi, uma caixinha muito fechada. Criada por uma tia tão distante que nem sabia que à família pertencia. Porquê? Uma mãe que morreu de cancro e um pai drogado que mal soube da hipótese de um filho, fugiu como se fugisse de um monstro. Deus!
Depois de catorze anos a viver e a errar em New Mexico, a sua tia decidiu arrastar Kimberly juntamente consigo. A sua tia, bom, ela é uma verdadeira guerreira por procurar por uma sobrinha que quase não lhe pertencia e cuidar dela como se fosse uma filha.
Uma pessoa que entrou do nada e não podia sair assim do nada.
Kimberly fez alguns amigos, falsos. Amigos que a apunhalaram por trás. Millena foi diferente, ela ficou por Kimberly, por si, sobretudo por elas.
Millena era parecida com a sua tia, Kelly. Lutavam pelo que gostavam, entravam na vida de quem esperavam amar do nada e permaneciam. Kimberly nunca foi uma garota de sorte, mas o seu coração escolheu Kelly e Millena sem erros ou hesitações.
− Queres que te ajude? Isso é muita papelada. – Millena reclamava atrás dela.
− Não obrigada, tu magoaste o teu braço na semana passada. Isto só iria piorar as tuas dores. – Kimberly disse. – O que vais fazer esta noite?
− Acho que o meu primo vem hoje visitar a minha família. Faz dois anos que não vem visitar os primos e tios. – Millena olhava para o telemóvel/celular enquanto tentava acompanhar os passos acelerados de Kimberly.
− Primo? Qual primo? Nunca me falaste dele.
− Bom, dado que eu já devia estar na faculdade ao lado dele, sim, eu chumbei duas vezes o 11º ano e outras duas vez o 12º ano. – Kimberly ficou incrédula. – Sim, eu tinha dito que chumbei apenas uma vez, mas sabes, eu perco-me às vezes a contar. Continuando, eu chumbei, mas ele foi para a universidade há cerca de dois anos.
− E nunca mais veio cá? – Kimberly subiu as escadas de madeira. Millena afirmou.
Kimberly estava encarregue de ajudar Millena que deslocou o braço esquerdo ao jogar basquetebol, como? Foi tudo tão rápido e idiota, que nem mesmo ela sabia. As duas "esquisitonas" da escola eram péssimas em qualquer tipo de desporto, por isso até havia uma desculpa para tantas vezes que deslocaram ou partiram partes do corpo.
Millena escrevia para o jornal da escola juntamente com mais meia dezena de pessoas, mas Millena ficava sempre encarregada de tudo e mais alguma coisa.
Depois do diretor visualizar toda a papelada, que certamente só rolou os olhos pelas letras de tamanho vinte, fez Kimberly voltar a levá-la, porque o seu escritório estava demasiado desorganizado e poderia não encontrar a papelada a tempo.
Millena falava sem parar atrás de Kimberly, esta rolou os olhos e esbarrou contra alguém que também carregava pastas com papéis, que sorte!
− Oh meu Deus! Como vou saber quais eram os papéis, Millena? Millena Campbell! – Kimberly gritou pelo nome de Millena que estava a rir de felicidade.
− Adam? És mesmo tu? – Ela continuou a rir como uma louca. Kimberly levantou a sua cabeça e olhou o garoto que estava ajoelhado à sua frente a tentar apanhar os seus papéis também. Bem, ele era realmente lindo e os seus olhos faziam Kimberly perder o senso do que estava a fazer.
− Millena! Continuas baixinha! Okay, que saudades! – Ele parou de fazer o que estava a fazer e abraçou Millena. Kimberly continuou incrédula com os seus joelhos no chão frio.
Kimberly tossiu, na tentativa falhada de se fazer notar entre os dois.
− Oh, esta é a Kimberly Ricci, ou Kim, a minha melhor amiga. – Kimberly acenou sem qualquer expressão e se levantou.
− A famosa Kim? – Kimberly arqueou uma sobrancelha, parecia que ele sabia quase tudo sobre ela e não gostou dele pelo simples facto de se ter esbarrado nele.
− Eu acho que vou ter de ir andando. – Kimberly parecia desnorteada, tanto que quase esbarrou num dos professores daquela escola.
− A tua melhor amiga vai sempre contra alguém? – Kimberly ouviu uma voz de fundo, talvez dele.

Friday, 03:00 p.m. Kimberly's House, California
O telemóvel/celular tocou loucamente em cima da pia da casa de banho/banheiro.

− Kim? – Millena falou do outro lado da linha. – Estás em casa?
− Sim, interrompeste o meu delicioso duche. – Kimberly amava tomar um bom duche com direito a imensa espuma, claro, odiava que a interrompessem.
− Desculpa! Mas será que queres vir cá passar a noite? – Millena falou. Automaticamente Kimberly lembrou que certamente haveria jantar de família para Adam. Ela odiava ir a jantares de família, sentia-se como se fosse um elemento a mais. – Por favor?
− Deixa-me adivinhar, vão fazer um jantar de família para o Adam. – Kimberly coçou a nuca, o seu tique nervoso.
− Como é... Pois, eu falei disso. – Millena bufou.
− Eu não sei... É um jantar de família para o Adam. E mais, nós não ficamos com uma boa impressão um do outro. – Desculpas, desculpas, desculpas e mais desculpas. – Achas mesmo que isto dará certo?
− Garota, fazes parte da família. A minha mãe suplicou-me para que eu te telefonasse a convidar. – Millena riu-se do outro lado. Lágrimas escorreram pela face morena de Kimberly. Ela nunca teve um jantar com uma família enorme ou muito menos com uma família unida e feliz. Tudo bem, tinha a sua tia Kelly, mas ela não se pode enganar ao dizer que não sentia falta. Porque, gostarias de ver que só tens uma tia como família?
− Okay, eu vou tentar chegar aí a horas. Ah, Millena? Eu posso levar a minha tia? – Kimberly saiu do duche e enrolou-se no seu robe vermelho.
− Claro, traz o periquito se quiseres. – Millena riu. Kimberly riu também e disse um "Até Logo".

Friday, 07:53 p.m. Millena's House, California
− Cheguei a tempo? – Millena abriu a porta, Kimberly e Kelly acabavam de chegar. Ela envergava umas calças jeans, uma camisa xadrez e uns Luibutton pretos. Num dos sofás pretos da casa estavam Adam, o pai de Millena e dois dos três tios dela. Adam sorria naturalmente ao falar com Paul, pai de Millena. Adam desviou o olhar até Kimberly e Kelly e voltou rapidamente à conversa.
− O teu primo anda em que curso? – Kimberly olhava de canto para Adam, este pareceu tentar terminar a conversa.
− Quanta curiosidade sobre o Adam, senhorita Kim! Ele está em medicina, eu penso. – Kimberly corou intensamente.
− É apenas curiosidade, nunca me falaste dele antes. – Kimberly disse e de seguida inclinou-se para a direita para agarrar num copo de bebida que estava sobre a mesa de bebidas e entradas.
Após pegar naquele copo, apesar de não ter sede nenhuma, o seu rosto deu de caras com Adam. Pareciam coisas de filme, mas era a realidade. O seu copo quase ia escorregando da sua mão trémula.
− Será que sou eu que estou a provocar esses suores frios e tremores? – Ele sussurrou ao seu ouvido.
− Não, de maneira nenhuma! Começo achar que és um garanhão metediço.
− Achas mesmo que isso me ofende? – Ele perguntou encostando-se na mesa de bebidas e entradas.
− Talvez não. – Kimberly saiu para encontrar Millena, que tinha saído misteriosamente com Kelly.

Friday, 08:05 p.m. Millena's House, California
Kelly e Millena estavam no jardim a olhar, talvez, para as estrelas. Kelly e Millena tinham hábitos e manias muito parecidas. Algumas delas irritavam Kimberly.
− A olhar para as estrelas? – Kimberly cruzou os braços abaixo do peito. Automaticamente, pensou em Adam e o arrepio que este lhe provocou ao falar ao seu ouvido.
− Não, a olhar para os navios no Céu. – Millena era delicada como uma rocha. Sempre grossa, curta e demasiada direta, enquanto o humor de Kimberly mudava a cada hora.
− Menina, estás apanhadinha pelo Adam! – Kelly fez-se notar.
− Eu? Pelo Adam? Mas que idiotice! – Kimberly estalou as suas mãos.
− Não te adianta mentir, porque toda a vez que o fazes, estalas as mãos. – Kimberly parou.
− E esse corpo parado quando ele te falou ao ouvido? – Kelly continuou com o questionário. Isto demorou aproximadamente sete minutos da sua vida até que Meghan as chamou para todos se sentarem à mesa.
Kimberly olhava seriamente o nada. A sua cabeça estava a cem pela chegada de alguém que mal conhecia, afinal ele roubou toda a sua atenção com um olhar. Kimberly saiu dos seus pensamentos devido ao movimento de alguém que se sentou ao seu lado, possivelmente Millena ou Kelly.
− E se eu sentasse na cadeira ao teu lado? O que farias? – Adam de novo.
− Tu de novo? Será que não te irás cansar? – Kimberly tentava negar ou ignorar Adam, só que na verdade ela até gostava da presença dele, de como ele não desistia com facilidade.
− Claro que não...



II
I Hate You!
Publicado em: 06/04/2015


But I can't back down.
No, I can't deny
That I'm staying now cause I can't decide
Confused and scared
I'm terrified of you
– Demi Lovato in I Hate You Don’t Leave Me


       − Tu de novo? Será que não te irás cansar? – Kimberly tentava negar ou ignorar Adam, só que na verdade ela até gostava da presença dele, de como ele não desistia com facilidade.
− Claro que não...

Friday, 09:19 p.m. Millena’s House, California
Kimberly e Adam conseguiam falar às vezes, porém eram diálogos curtos e quem mais falava era Adam, Kimberly olhava-o enquanto falava sobre algo momentâneo. O que cativou o olhar de Millena e Kelly sobre Kimberly e Adam foi que Kimberly mordia levemente o seu lábio inferior, coisa realizada ao olhar as suas crushs de famosos.
− Será que podem vir cá em cima? – Milena surgiu no meio dos dois como vela do casal.
− Claro! – Kimberly nem sequer hesitou. Subiram as escadas e entraram na primeira porta à esquerda.
− Como vocês devem saber, sexta-feira que vem é o baile da escola. O meu segundo baile! – Kimberly esclareceu.
− A sério que tu ficas feliz por isso? – Adam foi abraçado pelos ombros.
− E se tudo der certo, vai ser o segundo e último! – Millena fez a chamada “Dança Da Vitória”, segundo ela.
− Se tudo der certo… − Kimberly troçou de Millena que imediatamente parou a sua dança. – Okay, mas o que tem o baile?
− As roupas, ainda não as escolhemos, Kim! – Kimberly olhou Adam e Millena entendeu a sua questão, confirmando com a cabeça. – Por isso, o Adam e uma de nós alternadamente vão dando a sua opinião. – Ambos concordaram, Millena foi a primeira.
Ela vestiu dez vestidos diferentes e nenhum que lhe ficou bem, eram tão horríveis que Millena era alvo de piadas dos dois à sua frente.
− Diz-me que esse não é o último, isso parece um balão! – Kimberly bateu na mãozeira da cadeira. Millena fingiu uma cara de ofendida.
Após ter envergado o décimo quinto vestido, Adam e Kimberly concordaram que aquele era o indicado antes que ela mudasse de ideias.
− É a tua vez! – Millena apontou o dedo para Kimberly. Kimberly entrou na casa de banho/banheiro e viu zilhões de vestidos, ela não estava disposta a vestir tantos como Millena.
Simplesmente pegou no que mais gostou, um vestido preto com detalhes a dourado. Pensando bem, aquele era o único vestido não usado por Millena, com certeza ela já calculava que Kimberly o iria escolher.
Kimberly destrancou a porta: − Se pensas que vou experimentar os outros, estás enganada! – Kimberly virou-se para encostar a porta e voltou a olhar Millena e Adam.
− Hey, vais precisar de um balde? – Millena falou para Adam que continuou a olhá-la, perplexo. – Ah, não tinhas alguma coisa para lhe perguntar? – Millena deu-lhe uma cotovelada.
− Ah, claro! Kim? Já tens companhia para sexta à noite?
− Não. Mas porquê a pergunta? – Kimberly sentou-se na cama branca.
− Por nada, apenas curiosidade. – Millena olhou-o incrédulo.
− Okay… − Kimberly foi interrompida. Kelly abriu a porta.
− Crianças! Tenho de regressar, Kim? Será que podes cá ficar? Ainda bem que sim. O Richard teve um acidente no trabalho dele. Beijos e nada de resmungar! – Millena sorriu para Kelly. Richard era o namorado de Kelly, um homem de quarenta e dois anos que possuía aparência de quem entrara há pouco nos seus trinta anos, para não falar que era médico num outro estado. Ele vinha a casa a cada duas semanas pela distância.
− Adam! Porque não vais arrumar as tuas coisas? Nós já lá vamos. – Adam assentiu, Millena aproximou-se de Kimberly.
− Kim, tu andas a fazer olhinhos ao meu primo? Não posso acreditar, tu sabes que ele é mais velho que tu! – Millena “representou” um sermão.
− Mais velho? Quem te ouvir, irá pensar que ele tem o dobro da minha idade. E tu? Estás de caso com a Mia? – Sim, Millena era lésbica. Porém, os pais não sabiam, ela tinha medo da reação deles. Eles eram liberais e nada preconceituosos, mas, a maioria dos desentendimentos entre pais e filhos começava assim.
− Sim, nós estamos a começar a nos entender. – Millena coçou a cabeça, desconforto. – Por favor não mudes de conversa, tu sentes alguma coisa pelo meu primo, de verdade? – Millena recompôs-se, ela parecia… séria?
− Talvez… Porque ele irrita-me, porém quando dou conta já estou a morder o meu lábio ou a sorrir enquanto ele fala. – Millena acarinhou a cara delicada de Kimberly. Adam despertou algo nela que nem mesmo Kimberly sabia que existia.
− Minha querida, isso é amor. Promete-me uma coisa: não te magoes com os teus pensamentos, porque há uma cicatriz mal sarada nele, ou seja, ele magoar-se-á juntamente contigo. – Millena avisou, okay, aquilo ficou como uma voz ecoante na cabeça de Kimberly.
− O que se passou para me estares a dizer isso? – Kimberly levantou a sua cabeça e olhou para Millena.
− Só ele te poderá dizer. – Millena esboçou um sorriso e puxou Kimberly para ajudarem Adam a arrumar as suas coisas.


− O que achas? Preto ou branco? Mill? Acho que o preto combina melhor com o ba… − Millena interrompeu Adam. Ele ainda não tinha arrumado nada, só desarrumou. Alternava as camisas na sua frente a cada cinco segundos.
− A camisa branca fica melhor para ir ao bar!
− Quem vai ao bar de camisa formal? – Kimberly interrogou. – Eu odeio-te até no jeito de te vestires.
− Ama-me menos. – Colocou as camisas na cadeira.


− Como é possível ter tanta roupa? – Kimberly deitou-se na sua cama.
− Tu não o conheces mesmo! Ele consegue isto e muito mais! – Millena levou as mãos até à sua cara. Kimberly desatou a rir sem parar, ia ficando sem ar ao fim de algum tempo.
− Eu preciso de ir até à varanda tomar ar. – Kimberly continuou. Mentira, ela precisava desabar longe de Millena. A sua sorte era o seu choro ser baixo.
− Estás a chorar? Queres falar sobre isso?
− Tu? Porque falaria contigo? Porque todos acham que sou fraca? Eu odeio-me! – O seu pensamento ia a mil, fazia tempo que não sentia um vazio repentino. As frases eram disparadas sem sentido nenhum.
Adam seguiu-a porque Millena disse-lhe “Ela não vai tomar ar, vai desabar com o silêncio.” Adam segurou os seus pulsos que tremiam, num impulso, ele apertou-a entre si e os seus braços. – Porque estás a fazer isto? – Kimberly cessou por instantes o choro.
Porque eu não te odeio.



III
Do You Want a Partner?


Publicado em: 18/04/2015



If I ain't got nothing, I got you
If I ain't got something
I don't give a damn
'Cause I got it with you
– Beyoncé in 1+1 (One plus One)

      Adam seguiu-a porque Millena disse-lhe “Ela não vai tomar ar, vai desabar com o silêncio.” Adam segurou os seus pulsos que tremiam, num impulso, ele apertou-a entre si e os seus braços. – Porque estás a fazer isto? – Kimberly cessou por instantes o choro.
− Porque eu não te odeio.
Iria fazer quase uma semana depois de Kimberly ter chorado nos braços de Adam.
O que muitos deviam pensar que eles começaram a ser dar bem … Está errado! Eles não se cruzaram mais depois de Adam ter “arrastado” Kimberly até ao quarto de Millena. No dia seguinte, pelas dez horas da manhã, Kimberly foi embora consolar, talvez, Kelly e Richard.
Millena, obviamente, forçou os dois a se encontrarem por “coincidência”, o que falhou por completo. E quando se encontraram? Não se pronunciavam e olhavam para o chão o tempo todo.

Thursday, 10:04 p.m. Kimberly’s House, California
− Como te sentes em relação ao “amanhã”? – Kimberly sentou-se na cadeira da sua secretária.
− Muito bem, saber que este irá ser, finalmente, o último ano naquele Inferno. – Millena rodou um pouco para ter certeza de que o vestido estava limpo e completamente em condições para ser usado. – E tu?
− Nervosa, saber que depois de tudo, quem sabe eu irei conseguir ver uma luz clara, diferente daquela que me acompanha.
− Eu espero que sim. E o teu par para o baile? – Millena atirou o vestido para a cama. Ela pareceu entusiasmada em mudar o tema do assunto.
− Não há nenhum par, tu sabes disso!
− Ainda bem! – Deu um sorriso largo. – Isto é, lá na nossa escola só há idiotas, eles podiam magoar-te! – Millena tentou a todo custo justificar o seu “Ainda bem!” demasiado entusiasmado e surpreso.
− Claro… − Ela disse não acreditando em nada do que Millena falou.

Friday, 09:28 a.m. Kimberly’s House, California
Millena dormiu em casa de Kimberly. Elas ficaram até às três da manhã a falar, rir e tratar de coisas que já estavam mais que tratadas e retratadas.
− Okay, então eu vou ficar um pouco mais … Por favor, não stress! – Kimberly abriu os olhos lentamente e ouviu o fim da conversa misteriosa de Millena. – Estás há muito tempo acordada, Kim? – Ela pareceu nervosa ao desligar o telemóvel/celular rapidamente.
− Não… − A sua voz saiu como um único som. – Para onde vais? Ah não! – Millena andou para o lado de Kimberly e puxou-a.

Friday, 10:48 a.m. Shopping Center, California
− Porque estamos aqui? Porquê?! – Kimberly gritou aos ouvidos de Millena.
− Menos, D. Kim! Vais gostar de dar uma renovada ao visual e ao guarda-roupa! – Kimberly acenou um “não” com a cabeça e ameaçou começar um choro.

Friday, 14:28 p.m. Shopping Center, California
− Kim? Estás bem? Kimberly! – Millena gritou do lado de fora da casa de banho/banheiro.
− Um pouco indisposta, apenas! Tu arrastaste-me para aqui quando ainda eram nove horas da manhã! Millena! – Kimberly gritou mais alto que Millena. – Eu passei quatro horas, sem contar as que dormi, sem comer absolutamente nada!
− Desculpa! – Millena mordeu o lábio e fechou os olhos. – Se quiseres, podemos ir já para casa. – Millena ouviu Kimberly vomitar, provavelmente, o jantar de ontem.

Friday, 14:34 p.m. Kimberly’s House, California
Kimberly girou a chave da porta branca de casa. – Eu ainda irei perceber, porque me arrastaste para lá às nove horas da manhã! – Millena bufou pela insistência da parte de Kimberly.
− Apenas uma coisa, um dia vais-me agradecer! – Ouviram uma voz, melhor dizendo, um riso masculino soar. Richard! Sim, mesmo depois de desmaiar e ter um curativo enorme na mão causada pelas brincadeiras perigosas com facas, sem esquecer, incluindo os amigos, ele não perdia o humor.
− Qual é a desta vez? Porque essa conversa não teve o mínimo sentido. – Richard foi olhado por Kelly, Kimberly e Millena, era o único a rir. Depois de longos segundos Richard parou.
− Nada em especial, falamos sobre o que vai acontecer hoje à noite. – Kimberly era a pessoa perfeita para inventar desculpas. O contrário passava-se com Millena, ela era péssima a mentir e rápido era descoberta.
− Percebo. E então? Já compraram os vossos vestidos? – Richard deu um gole na bebida.
− Há muito tempo atrás. – Millena fez-se notar.
− Nós fomos ao centro comercial apenas por diversão. Certo, Mill? – Kimberly lançou-lhe um olhar quase mortal. Millena queria falar, porém Kimberly puxou-a para o quarto.

Friday, 14:46 p.m. Kimberly’s Bedroom, California
− O que esperas para hoje à noite? – Millena agarrou um dos muitos travesseiros da cama de Kimberly.
− Bem, é difícil esperar alguma coisa, porque no pode desiludir, por isso eu espero o inesperado.

Friday, 18:23 p.m. Kimberly’s Bedroom, California
− Kim? Kimberly! Acorda! Nós vamos chegar atrasadas! – Millena balançou agressivamente Kimberly. Kimberly adormeceu assim que Millena ligou o Notebook para falar com alguém. O estranho é que ela falou com essa pessoa num outro compartimento da casa, como se quisesse que ninguém ouvisse a conversa.
− Não! – Gritou. – Eu não quero ir, afinal o que vou lá fazer? Talvez ser humilhada pela falta de um par, um inútil. Sabes, faz um bom tempo que me apetece dar um “Foda-se” para a escola. – Kimberly manteve os olhos fechados.
− Queres saber de uma coisa, também? – Kimberly negou. – Não adianta dizer “não”, vou falar mesmo assim. – Bufou. – Por mais entediante ou ridículo que seja ir num lugar que te faz sentir mal, quem sabe se não encontras o que te faz falta?
− Quem garante esse conto de fadas? – Kimberly era o tipo de pessoa que conseguia estragar um conto de fadas ao contar a suposta história real e que tem sempre a resposta na ponta da língua, irritante! – E o que tu entendes disso?
− Por favor, levanta-te! Agora! – Millena puxou-a fazendo com que caísse no chão. – Ah, respondendo a essa indireta, eu vejo aquilo que tu te negas a ver!

Friday, 19:16 p.m. Kimberly’s Bedroom, California
− Mill, ajuda-me! Eu não vou conseguir fazer isto tudo sozinha! – Kimberly entrou em pânico, de novo.
− Calma! Está tudo sob controlo, sim? Ainda falta tempo e, até às nove horas e meia as pessoas vão aparecendo… − Kimberly interrompeu Millena.
− E para escolher a nossa mesa? Tu queres realmente ficar nas piores?
− Okay, tu tens um pingo de razão. – Ela olhou-a séria. – Total razão, mais feliz? – Ela sorriu.

Friday, 19:34 p.m. Kimberly’s Bedroom, California
− Achas que isto me fica bem? – Kimberly saiu da casa de banho/banheiro. Ela perguntou aquilo todas as vezes que experimentou algo. – Mill? – Millena olhou incrédula. Kimberly não era mais aquela menina de nove anos que se via nalgumas das fotos que se situavam na parede perto do roupeiro. Kimberly já tinha adquirido a forma de uma mulher com coxas, peitos e bunda grande e cintura mais fina, ela tinha crescido sem saber.
− Se tu não fosses a minha melhor amiga heterossexual, eu beijar-te-ia agora! – Millena encostou-se à mesinha onde tinha colocado a sua bolsa para colocar “tudo o que uma mulher precisava”, segundo ela. Kimberly riu e abraçou-a com a força da procura de um conforto e da saudade no vazio. – Tu estás perfeita para… − Millena deixou escapar algo, imediatamente tocou-se e parou de falar.
− Para quem? – Kimberly desfez o abraço e olhou-a desconfiada.
− Para o baile, Kim! – A primeira vez que Millena mentia e não gaguejou ou ficou aos papéis para encontrar uma justificação.

Friday, 20:15 p.m. Prom, California
A decoração era simples com cores variantes em preto, dourado, vermelho, branco… e as toalhas das mesas também variavam nas mesmas cores. Havia, também, rosas brancas e vermelhas nas paredes, um buquê delas em cada mesa e um menu sobre todas as combinações possíveis de mini jantares, pelo preço incrível de 3,50€ (R$11,39 +/-).
Kimberly ficou a enamorar a decoração e tudo o que lhe era belo e simples. As pessoas, poucas, iam chegando com tempo descompassado.
− Kim? Vamos nos sentar naquela mesa? Porque aquela foi a única que eu gostei de todas as vezes que eu repeti este baile. – Millena procurou Mia entre as pessoas, só que seria inútil encontrar a sua “anã” como lhe chamava.
A mesa não ficava muito no centro, porém não muito no fundo ou muito à frente, apenas perto de toda a comida que estava disposta em longas mesas de toalha de uma cor lilás, talvez para dar destaque e chamar a atenção.
− Claro, eu confio nos especialistas, nesse caso confio em ti, Dr.ª Millena Especialista em Mesas De Baile. – Millena ignorou a indireta. Mia sentou-se na mesa que antes só tinha Millena e Kimberly.
Mia era mais uma adolescente incompreendida pelos pais pelo facto de ser lésbica. Mia era delicada, mas ao mesmo tempo dura consigo mesma. Tentava não se abalar com os escassos comentários de humor-negro.
Embora toda aquela treta, Mia continuou a viver com os pais que viviam viajando de janeiro a janeiro. Só que ela adquiriu uma casca tão grossa para se proteger que estranhava os pais em casa.
− Kim! Que saudades! Estás linda! – Mia abraçou Kimberly pelos braços, depois de notar a sua presença. – Não queres vir? – Kimberly ficou confusa. – Dançar e petiscar algo. – Mia ajeitou a sua cadeira juntamente com Millena. Kimberly negou, após um vazio e um desgosto bem amargo a invadir, como se não pertence-se aquele lugar.

Friday, 20:28 p.m. Prom, California
Mia e Millena eram sem dúvida pessoas fantásticas que mereciam ficar juntas e melhorar as suas vidas de vez. Elas conseguiam transformar os comentários negativos em piadas.
Millena nunca ligou muito para os outros, afinal, quem não aguentaria as piadas sobre ter vinte e dois anos e continuar no décimo segundo ano do liceu? Haja coragem!
As duas faziam piadas, riam, falavam e sussurravam baixo, deixando praticamente Kimberly de fora do assunto. Seria algo com Mia? Ou Millena? Millena baixou a sua cabeça como Mia e leu algo, talvez uma mensagem no seu telemóvel/celular, depois entreolharam-se e balançaram as suas cabeças como se concordassem.
− Ah? Kim? Importas-te de ficar um pouco mais sozinha? Acho que chamaram alguém para ajudar o DJ. Nós voltamos rápido! – Mia falou enquanto olhava para a porta. Na verdade, não havia nenhum DJ. Elas não esperaram que Kimberly respondesse.
Kimberly ficou a olhar o nada e bufou pesadamente. Só de pensar em todas as coisas chatas como valsas e afins que haveria naquele baile, uma dor de cabeça surgia a todo o instante.
Mesmo com o som alto de música a passar, ela persentia os passos de alguém. Uma respiração atrás de si.
Kimberly fechou os olhos por breves instantes, e quando os abriu, deparou-se com uma rosa vermelha segurada por um homem, talvez. Os seus olhos perseguiram toda extensão do braço e deparou-se com Adam.
Depois de uma semana, ela não queria crer no que via. Seria a escolha de camisa, as conversas longe dela, sussurros e olhadas para isto? Não, seria demais para pouco tempo.
− Queres um parceiro para esta bela noite? – Adam falou perto do seu pescoço, onde os seus pelos da nuca se eriçaram com frequência.
− Porque eu te queria aqui e sobretudo, dançar contigo? – Kimberly permaneceu sem olhar nos olhos dele.
− Só para te irritar, eu vou sentar-me na cadeira ao teu lado, porque a tua mania de não me olhar é ainda mais irritante. – A sua mão continuou estendida para Kimberly. – Por favor! Aceita, eu não assaltei o quintal da vizinha em vão!
− Okay! – Ela riu e pegou-lhe, em seguida cheirou-a. O seu cheiro era o mesmo que o perfume de Adam. Ela fez uma careta ao dar conta disso, Adam riu. A rosa foi pousada sendo escondida pela borda do prato.
− A Mill, onde está ela? – Adam perguntou quebrando o gelo.
− Com a Mia, talvez a dançarem… − Kimberly não fez questão de terminar quando avistou Mia e Millena a aproximarem-se. Lançou-lhes um olhar mortal, digamos, elas riram deixando-se cair nas cadeiras.
− Então? – Millena riu.
− Tudo bem até agora. – Os dois falaram em coro.
− Estou a ver que está tudo tão bem que já falam em coro! – Mia apontou o dedo aos dois. – Eles rolaram os olhos. Uma voz soou no altifalante do baile, cativando desta maneira a atenção de todos os que estavam presentes.
− Boa noite, alunos! – Professor Finn, um professor louco de História, que conseguia ser pior que os alunos no que tocava a brincadeiras. – Espero que estejam a gostar da vossa última “estadia” cá. Por isso, vamos abrir a categoria das danças com uma valsa a dois, obviamente. – Os alunos riam. – Boa noite e boas danças. – Ele acabou e desligou o altifalante.
− Aceitas? – Adam estendeu a sua mão já em pé. Kimberly olhou para a sua cara, a sua mão, a sua cara, a sua mão, repetidamente. Adam fez beicinho, o que a fez o querer beijar e desfazer o seu amuo.
− Okay! – Bufou, porém aceitou pegando na mão de Adam. O seu corpo arrepiou-se, mais uma vez, a sua mão era suave, não parecia ser a de um homem, já que os homens tinham mãos ásperas, indelicadas e agressivas.
− Por que motivo, uma mulher linda como tu, estaria num baile sozinha? – Adam e a sua mania de encostar os seus lábios na orelha esquerda de Kimberly.
− Eu passei boa parte da minha vida sozinha. Eu acostumei-me a ser a minha própria sombra. – Kimberly colocou as suas mãos no seu peito e Adam colocou as suas na anca larga de Kimberly.
Quem nunca foi a sua própria sombra? Mesmo nas noites mais escuras das nossas vidas? Quem nunca teve medo de si mesmo? Ou que se afastou com medo de os arrastar consigo? Fica a saber que o medo transforma-se em ódio e violência no coração. – Adam acelerou cada vez mais o coração dela. Era impossível saber tanto sobre ela ao chegar a este ponto.
− Certo! Mas como sabes tudo isso sobre mim? – Kimberly olhou-o séria. – Acho que os nossos caminhos não se cruzam!
− Eu tenho os meus contactos, todos de extrema confiança. – Kimberly avistou Mia e Millena que seguravam uma bebida numa das mãos, enquanto alguns cochichos eram soltos. − Nem o Paraíso nem o Inferno me podem separar de ti.
− Eu acho que sim! – Adam olhou-a sério. − Quer dizer, eu tenho a certeza que sim! Pois não é o teu rosto, mas as expressões nele. Não é a tua voz, mas o que tu dizes. Não é como tu pareces nesse corpo, mas o que tu fazes com ele. – Kimberly tocou-se no que tinha acabado de falar e tapou a boca. Adam olhou-a com malícia.
− Eu ouvi bem? A Senhorita Kimberly acabou de falar algo sobre ter uma atração por mim? Porque foi o que pareceu. – Adam chegou cada vez mais Kimberly para perto de si, ela tentou rejeitar sem qualquer sucesso. Ele sabia, também, como uma faladora compulsiva estaria no seu momento para falar, certo, para impedir isso, deslizou um dedo sobre a boca rosada de Kimberly. – Tu és uma garota muito sortuda, foste a primeira a fazer com que Adam Walter sentisse um nervoso miudinho.
− Ainda bem, porque eu estava com medo de ser a única com o estômago com borboletas. – Kimberly riu fraco.
− Bem, eu quero-te beijar, até esqueceres o teu nome, esqueceres tudo para além disto. – Quando Kimberly deu por si, duas mãos fortes depositaram-se na sua cara. Quentes e protetoras. Os seus braços ficaram à volta do seu corpo, parando nas suas costas.
Eles olharam-se nos olhos e de seguida nos seus lábios. Kimberly pensou que teria de ser ela a tomar a iniciativa, selou os seus lábios num beijo com saudade, paixão e desejo, difícil de dizer mas simples de sentir. Eles foram se afastando com beijos curtos. Apenas juntaram as suas testas.





IV
You Again? No!
Publicado em: 17/05/2015


No, I don't believe you
When you say don't come around here no more
I won't remind you
You said we wouldn't be apart
No, I don't believe you
When you say you don't need me anymore
So don't pretend to
Not love me at all
− P!nk in I Don't Believe You

       − Bem, eu quero-te beijar, até esqueceres o teu nome, esqueceres tudo para além disto. – Quando Kimberly deu por si, duas mãos fortes depositaram-se na sua cara. Quentes e protetoras. Os seus braços ficaram à volta do seu corpo, parando nas suas costas.
Eles olharam-se nos olhos e de seguida nos seus lábios. Kimberly pensou que teria de ser ela a tomar a iniciativa, selou os seus lábios num beijo com saudade, paixão e desejo, difícil de dizer mas simples de sentir. Eles foram se afastando com beijos curtos. Apenas juntaram as suas testas.
− Tu deves ser uma garota muito sortuda! – Adam abraçou-a por cima dos seus ombros.
− Nem por isso. – Kimberly puxou-o mais para si. – Mas já que falas nisso, porque achas que sou uma garota sortuda?
− Tu foste a primeira garota que me causou arrepios e possivelmente a única. – Adam acariciou a cara de Kimberly. – Nem por isso? Porquê? – Ele pensou nas suas palavras que continham um incrível sabor a dor.
− A primeira e única? Será que todas as outras foram apenas fases? – Ela riu. – Nem por isso, é uma história longa e complicada. – Afinal, ele não sabia nem metade das coisas sobre ela.
− Quem sabe um dia me possas contar isso. Não queres ir até lá fora? – Adam olhou em volta. Mia e Millena estavam a falar com Julie, a professora que mais adorava os seus alunos. Kimberly concordou.
− O que pretendes fazer depois deste dia? – Kimberly acompanhou os seus passos.
− Bem, talvez uma faculdade de literatura. E tu?
− Acho que terei de voltar amanhã à minha universidade. Passou-se uma coisa com um dos meus colegas. – Kimberly ficou pensativa e triste, afinal, seria ele apenas um homem que beijou? Uma vez apenas? – Kim? – Ele notou a sua distância. – O que achas de nos sentarmos naquele baloiço? – Sim, apesar de ser uma escola secundária, havia um baloiço e um sobe-e-desce atrás do ginásio. Em tempos foi um infantário.
− Claro! – Kimberly sentou-se no banco direito. – E achas que é grave? Adam? – Adam olhou para os pulsos dela.
− Acho que não! Tu tens uma tatuagem? Gostei! – Kimberly olhou os seus pulsos.
− Ah, sim! Tenho várias! Tens alguma? – Kimberly sorriu. As conversas entre eles não eram mais monótonas e com um silêncio absurdamente entediante.
− Duas! Quem nunca teve aquele momento de loucura adolescente? Eu sei que não posso ter devido à profissão. O que me salvou a pele é estarem em sítios disfarçados. – Ele riu.
− Sabes, eu pensava que nunca poderia conversar contigo de maneira civilizada! – Ela riu quebrando o ciclo de perguntas aleatórias.
− Quem diria!

Wednesday, 11:17 a.m. Starbucks, California
Fazia um mês, quase, desde a última vez que se falaram. Millena negou-se a responder a qualquer pergunta sobre o outro. Era o pior defeito que ela possuía.
− Deixa de ser cismática! – Millena estendeu a mão com um café quente. – Ele vai aparecer.
− Ele vai aparecer? É isso que me tens a dizer? – Kimberly fervia pela impaciência. – Sinceramente, eu acho que ele te pediu para não falares mais sobre ele. Idiota!
− Porquê? Kim, porque estás a agir desta maneira? Ah não… Tu tens sentimentos por ele?
− O quê? Ah? E se tivesse? Por favor, para com isso! – Kimberly levantou-se num impulso quase tombando o seu café, agora morno.
− Tu é que sabes! – Millena falou num grito, ela não se tinha movido do lugar para qualquer coisa que fosse.

Wednesday, 01:43 p.m. Starbucks, California
Kimberly “batia sucessivamente com a cabeça na secretária” do seu quarto. A sua vida parecia um jogo de computador, cada ano equivalia a um nível com obstáculos que pensava serem impossíveis e inimagináveis.
Adam, o único garoto misterioso que provocou uma onda de interesse e um sentimento bónus. O que ele escondia, melhor, o que é que o seu passado escreveu?
Kelly estava no andar de baixo, talvez, a namoriscar com Richard, como ela própria dizia. Kimberly sentiu passos nas escadas, Kelly.
− Kim? Há uma pessoa que quer falar contigo.
− Mill? – Kimberly roeu a ponta do lápis de carvão.
− Muito tempo para não saberes que não era ela. – Kelly riu fraco como se fosse obrigada e saiu.
Kimberly calçou um dos seus pares perdidos de All Stars. A casa estava em silêncio como se fizesse um voto de silêncio com e por ela.
− Kim, tudo bem? – Millena desencostou-se da bancada. Kimberly acenou um “sim”. – Não, não está! Não penses que te livras de uma bela conversa, menina! Será que antes disso posso ir à casa de banho/banheiro?
− Com certeza! Só me vou preparar mentalmente para essa conversa. – Kimberly riu. Millena deixou a sua bolsa e telemóvel/celular em cima da bancada e foi. Do jeito que ela era, Kimberly apostava que ela iria demorar.
O telemóvel/celular começou a vibrar. Kimberly pensou que olhar o conteúdo da mensagem não faria mal. Não, fez muito mal!
Era de Adam, dizia algo relacionado a uma viagem rápida e que Alicia o tinha cumprimentado. Quem era Alicia? Os ciúmes corroeram-na por dentro.
− Kim? – Millena chamou. – Será que te importas de irmos no teu carro até à avenida? – Kimberly olhou-a estranhamente. – Eu vim a pé e o tempo lá fora está muito feio, acredita em mim! – Millena abotoou o casaco. Rapidamente, Kimberly largou o seu telemóvel/celular e abanou positivamente a cabeça.
Durante toda a viagem Millena tagarelou sobre nada. Mas o pensamento de Kimberly ia automaticamente para o assunto “Alicia”. Quem era Alicia? O que ela era para Adam? Seria ele casado?
O quê? Adam casado? Um casado infiel?
− Ah? Kim! – Millena acenou a mão na frente dos olhos de Kim. – Eu não quero morrer agora, sim?
− Tanto faz… − Sussurrou. – Morrer, porquê? – Millena fuzilou-a com os olhos como se a resposta fosse óbvia. Kimberly estacionou e Millena desceu de imediato. – Porque me arrastaste até aqui? Não há ninguém aqui! – Kimberly resmungou atrás de Millena. Porém, Millena digitava animadamente com alguém no telemóvel/celular, possivelmente, Mia.
− Porque há alguém a precisar. – Millena colocou o telemóvel/celular na bolsa. Só aí Kimberly pôde perceber a figura masculina inconstada na parede branca escura.
− Tu de novo? – Millena correu para abraçá-lo. – Já me arrependi de vir até aqui. Mas sabes o bom de tudo? Eu vim com o meu carro, ou seja, fui! – Millena segurou o seu braço.
− Fica! Por favor! Nós só vamos ajudá-lo a organizar umas coisas. – Millena pediu quase como uma súplica.
− Okay! – Kimberly rolou os olhos. Millena fez uma dança da vitória, idiota, e continuou na sua frente a digitar algo no seu telemóvel/celular. Kimberly estava irritada de tanto pensar no que Alicia seria a Adam. Seria ele casado?
− Eu disse que voltava. – Adam falou ao seu ouvido provocando-a.
− Não me lembro de prometeres qualquer coisa que fosse. – Kimberly evitou olhá-lo. Adam chegou-se mais perto e depositou a sua mão na sua cintura. Kimberly estremeceu.




V
You Are Perfect To Me!


Publicado em: 22/05/2015

(O capítulo contém insinuações de sexo, por isso se ficar chocado com qualquer coisa que tenha lido, não não é da minha responsabilidade!)


Fading in, fading out
On the edge of paradise
Every inch of your skin is a holy grail I've got to find
Only you can set my heart on fire, on fire
Yeah, I'll let you set the pace
Cause I'm not thinking straight
My head spinning around I can't see clear no more
What are you waiting for?
– Ellie Goulding In Love Me Like You Do

        − Okay! – Kimberly rolou os olhos. Millena fez uma dança da vitória, idiota, e continuou na sua frente a digitar algo no seu telemóvel/celular. Kimberly estava irritada de tanto pensar no que Alicia seria a Adam. Seria ele casado?
− Eu disse que voltava. – Adam falou ao seu ouvido provocando-a.
− Não me lembro de prometeres qualquer coisa que fosse. – Kimberly evitou olhá-lo. Adam chegou-se mais perto e depositou a sua mão na sua cintura. Kimberly estremeceu.
Sim, era verdade que tiveram de o ajudar com muitas coisas. Era um apartamento que pertencia a Adam, um pouco desnecessário, dado que vivia na mesma cidade com os pais.
− Terminamos, finalmente! – Kimberly sentou-se no sofá de couro branco.
− Se não fosse a tua mania compulsiva de ter tudo organizado simetricamente, alfabeticamente e por tamanho... – Adam falou com o intuito de provocar Kimberly, como o planeado.
− Vais-me agradecer por isso! – Kimberly bocejou e encostou a cabeça à mãozeira do sofá.
− Parece que alguém não dormiu de noite. – Millena fez-se notar.
− Não. – Kimberly cortou a finalidade da conversa. Millena tinha demasiada imaginação.
− Oh, claro que não! – Millena olhou pela janela e levantou-se. – Acho que está na minha hora. – Olhou para o seu relógio. – Vem aí chuva forte. Ah, a Mia vai dormir esta noite em minha casa. – Millena riu maliciosamente e olhou para Kimberly e Adam.
− Prevejo festa! – Ambos falaram em coro sem qualquer tipo de entusiasmo. Os seus olhares entrelaçaram-se.
− Vocês também terão um dia, por isso não me invejem. – Millena bateu a porta.
O silêncio instalou-se entre eles. Adam estava numa poltrona à sua frente. Ele encarava o nada. Kimberly tentou abstrair-se e pensar numa outra coisa. Idiota! Ele permanecia dentro do seu pensamento.
− O apartamento é novo? – Kimberly quebrou o gelo.
− Não muito, talvez tenha uns seis anos. Os meus pais compraram-no há dois anos. – Adam cruzou os braços e olhou, novamente, para o nada.
− Porquê? Tu és daqui e vives cá.
− Eles compraram este apartamento quando acabei c… − Interrompeu atrapalhando-se com as próprias palavras – O liceu.
− Isso é engraçado. – Kimberly riu. Um barulho de chuva a cair ouvia-se crescentemente. – Acho que tenho de ir. O meu trabalho por aqui está feito!
Kimberly ajeitou a própria roupa e concentrou-se no som dos seus próprios passos que ecoavam pela casa.
A sua mão preparava-se para abrir a porta branca. Uma mão gelada travou-a. Aquela mão era-lhe familiar. Não era totalmente gelada, apenas as pontas dos dedos eram, era como uma mistura de branco e preto.
− Eu não te vou deixar sair com este temporal. Jamais! – Ele falou ao seu ouvido. Ela continuou estática. Adam puxou-a para si. Ela podia sentir a sua respiração ofegante, diria que até nervosa.
Ele guiou-a até à bancada da cozinha, onde a sentou. As suas mãos deslizaram até às suas coxas apenas cobertas pela saia de couro preto. Kimberly também deslizou as suas mãos nervosas pelo seu peito, que se arrependeram e ficaram no seu pescoço.
O deslizar das mãos e os beijos no pescoço enlouquecia Kimberly, que deixou escapar alguns gemidos fracos.
− Não! Para! – Kimberly falava entre suspiros.
− Porquê? Eu sei que tu queres continuar. – Adam falou ao seu ouvido e levantou a barra da sua camisola.
− Sim, na verdade eu quero, mas não na bancada da tua cozinha. – Ela riu.
− Claro! Tens razão. – Ele riu também. Puxou-a mais para si e carregou-a até ao seu quarto.
Os beijos não paravam e pediam por mais, muito mais! O seu quarto não ficava longe, porque aquela espera já era torturante o suficiente.
O seu quarto era muito bem iluminado e demasiado fresco. O que mais chamava atenção era a cama em harmonia com as cores do quarto, branco e cinzento claro.
Adam deitou-a na cama delicadamente. As mãos dela eram quentes e completamente inabilidosas, puxavam com pressa a camisa dele, já que a sua tinha “voado” há muito tempo e, provavelmente, estaria completamente dobrada num canto empoeirado qualquer.
− Tu és extremamente engraçada sob pressão. – Adam zombou de Kimberly.
− Qual pressão? Não faço ideia do que falas. − A sua fala falhava quando Adam passava as suas mãos com temperaturas mistas, pelo peito robusto de Kimberly.
− A pressão que eu provoco em ti. – Adam beijou o seu pescoço e o corpo de Kimberly contorceu-se. Ele colocou de novo as mãos na cintura da saia de Kimberly.
− Eu espero que isto não seja só um rápido caso. – Kimberly sussurrou ao ouvido dele.



VI
Secretly, I Love You!


Publicado em: 31/05/2015



Oh, you gotta hold on
Hold on to what you're feeling
That feeling is the best thing
The best thing, alright
– Olly Murs in Up Featuring Demi Lovato
         
− Tu és extremamente engraçada sob pressão. – Adam zombou de Kimberly.
− Qual pressão? Não faço ideia do que falas. − A sua fala falhava quando Adam passava as suas mãos com temperaturas mistas, pelo peito robusto de Kimberly.
− A pressão que eu provoco em ti. – Adam beijou o seu pescoço e o corpo de Kimberly contorceu-se. Ele colocou de novo as mãos na cintura da saia de Kimberly.
− Eu espero que isto não seja só um rápido caso. – Kimberly sussurrou ao ouvido dele.

Thursday, 09:12 a.m. Adam’s House, California
Kimberly acordou devido a alguns raiozinhos de luz que passavam entre as cortinas. Ela mal podia crer naquilo que tinha acontecido no dia anterior.
Os seus olhos foram-se habituando à pouca presença de luz, enquanto uma mão passava suavemente sobre os seus cabelos fora de lugar. A sua cabeça estava deitada sobre um peito forte e bastante cheiroso, Adam.
− Bom dia! – Sussurrou.
− Sim, é claramente um bom dia. – Ela respondeu. – Eu não posso acreditar que mal nos podíamos ver e agora estamos aqui depois de uma noite…
− Inesquecível. Eu sei que parece de loucos, e bem, faz sentido tudo isto, afinal, nós somos um pouco loucos. – Ele acariciou o seu rosto.
− Isto não é errado? – Kimberly continuou com a cabeça pousada sobre o peito nu de Adam.
− Não é errado quando tu amas demasiado alguém a ponto de não a deixares sair da tua vida. – O seu tom era agora sério e apaixonado.
− Talvez estejas certo, mas e a Millena ou a Kelly? – Ela quebrou um silêncio estabelecido no quarto e olhou-o.
− Elas terão de aceitar, afinal elas não nos podem obrigar a não nos amarmos. – Ele beijou-a levemente com um gosto de mistério e um suave toque de carinho, livre de malícia.

Thursday, 11:42 a.m. Adam’s House, California

− Estou? – Kimberly atendeu a chamada identificada com o contacto de “Mia”. Era raro Mia ligar.
− Ah, Kim? – Millena falava do outro lado. – Onde te enfiaste? – Millena falou com preocupação e com um barulho de agitação como som de fundo.
− O que tens a ver com isso? – Kimberly olhou para Adam com uma expressão simbólica de “Digo que estou onde?”. – Estou com a Michelle. – Michelle era talvez a pessoa mais inusitada, a bibliotecária da Biblioteca Municipal.
− Michelle? Michelle Delucci? Isto é uma brincadeira?! Porque estarias com ela?
− Fui requisitar um livro ontem e ela acabou por me convidar para jantar com ela. – Kimberly tentava a todo o custo terminar a chamada para que Adam pudesse rir tranquilamente.
− Ah! Faz mais sentido! – Millena tinha engolido, desta vez, uma bola de mentiras. – Mas vais ficar a dever-me uma! Eu menti para a tia Kelly e disse que tu tinhas ficado cá em casa.
− Sim, sim. Adeus, minha querida! – Kimberly desligou na cara de Millena que disparatava sem parar do outro lado.

Após Kimberly ter pousado o telemóvel/celular na mesa, Adam começou a rir. Kimberly olhou-o séria.
− Queria saber se fosses tu! O que farias? – Kimberly levantou-se e colocou alguns pratos e copos na pia da cozinha.
− Simplesmente não atenderia. Porque estaria demasiado ocupado a beijar a minha Kim. – Adam colocou as mãos na anca de Kimberly e cheirou o seu pescoço, provocando levemente Kimberly que levou as mãos molhadas à cara de Adam.
Adam não se importou com umas simples mãos molhadas, ele queria provocá-la de modo a que ela o desejasse.
Ele sentou-a de novo na bancada fria da cozinha e passou as suas mãos pelas suas pernas. Ele podia sentir o seu coração quase a saltar para fora. Enquanto as suas mãos, menos nervosas que no dia anterior, passaram na barra da sua camisa cinza-escura.
− Chega por hoje, garota. – Adam parou suavemente o beijo e retirou as suas delicadas mãos da camisa. Ela gemeu reprovando a ideia dele.

Thursday, 12:17 a.m. California
− Chegamos. Pronta para assumir tudo perante aquelas que nos poderão insultar ou amassar-nos com abraços? − Adam apertou a sua mão.
−  Há outra ideia melhor? – Kimberly olhou para a casa onde crescera. Adam balançou a cabeça de modo negativo. – Okay, seja o que Deus quiser. – Kimberly abriu a porta e saiu.

Thursday, 12:17 a.m. Kimberly’s House, California
Kelly estava na sala de estar com Richard e Millena. Talvez, estivesse a contar uma mentira muito maior que a de Kimberly.
− Fico mais descansada assim. – Kelly engoliu também a mentira mal contada por Millena, enquanto ela forçava um sorriso.
− Millena? O que fazes aqui? – Kimberly surpreendeu-se. A sua mão estava cruzada com a de Adam. Todos os que estavam ali presentes redirecionaram a atenção e o olhar às mãos dados do casal.
− Vocês ficaram colados por alguma substância? – Richard perguntou pousando imediatamente o copo.
− Foi alguma aposta? – Kelly acompanhou Richard. Millena tentava engolir o riso.
− Não e… não. – Responderam em coro. Millena estava vermelha e tentava esconder o rosto com a sua bolsa.
− Então? – Richard perguntou com uma certa impaciência.
− Não é óbvio? – Adam ripostou.
− Nós estamos a… namorar. – Kimberly falou receosa, notava-se pela pausa demorada entre “a” e “namorar”.
− Dá-me os meus cem dólares, Richard! – Kelly abriu a mão e fez sinal para que depositasse a quantia na sua mão esquerda. Richard baixou a cabeça e abriu a carteira castanha, já desbotada pelo tempo.



VII
You Will Be Daddy!

Publicado em: 28/07/2015



Hard not to spoil you, rotten
Looking like lil me
The most beautifulest this thing in this world
Daddy's little girl, yeah
– Jay-Z in Glory

− Não é óbvio? – Adam ripostou.
− Nós estamos a… namorar. – Kimberly falou receosa, notava-se pela pausa demorada entre “a” e “namorar”.
− Dá-me os meus cem dólares, Richard! – Kelly abriu a mão e fez sinal para que depositasse a quantia na sua mão esquerda. Richard baixou a cabeça e abriu a carteira castanha, já desbotada pelo tempo.
     
Wednesday, 09:12 a.m. Adam’s House, California
Faziam três meses desde que tudo tinha acontecido, desde que tudo tinha mudado e desde que tudo tinha ido, excentricamente, ao normal. Apenas Adam e Kimberly sabiam o que se tinha passado naquela noite, somente eles.
Kelly e Millena bombardearam Kimberly com perguntas sobre o porquê de só voltar no dia seguinte, enquanto Adam e Richard falavam sobre a Universidade de Medicina.
Kimberly tinha a sensação de culpa por não contar a Kelly ou Millena, mas elas julgá-la-iam, com muita pouca razão
Adam e Richard pareciam amigos de longa data, falavam e riam fluentemente. Adam, talvez, não lhe lembrava a ideia de “Ele poderá ser o teu futuro sogro.” Uma das vantagens dele seria que, Richard era um adolescente num corpo dum homem trintão.


− Já acabou o filme? – Kimberly tinha a cabeça pousada no colo de Adam. Para variar, eles estavam em casa dele, a maior parte dos seus dias eram passados na casa dele. Ultimamente, Kimberly sentia-se cansada ao extremo e maldisposta com qualquer coisa. Um dos casos que fez todos pensarem que estaria doente tinha se passou na sexta-feira passada

 “ − Tu tens razão! Devíamos lá voltar! – Kelly falava sobre visitar a casa onde tinha passado a adolescência. Richard tinha um leve trauma relacionado com aquela casa. Os pais de Kelly não admitiam que Richard, um rapaz da classe média-alta visitasse a filha deles, mesmo depois de ter abandonado a casa dos pais.
Sim, Kelly tinha saído de casa aos quinze anos. Porquê? Kelly não teve a infância que todos nós desejamos. Um pai alcoólatra e uma mãe dependente de drogas que se prostituía para conseguir pagar a heroína. Mal viu a oportunidade de sair de casa, ela agarrou-a. Hoje em dia, não sabe nem se os pais estão vivos ou não.
− Claro! Foi naquela casa que finalmente te pode visitar, mesmo achando que os teus pais iriam aparecer de caçadeira em punho. – Richard acariciou a mão direita de Kelly. – Kim? Vais querer café?
− Não! Nem pensar! Esse cheiro – Fez uma pausa curta entre as palavras. – Tão enjoativo, céus!
− Como?! Tu adoras tomar café após o jantar. – Adam ficou um pouco chocado depois de ouvir a recusa por parte dela. – Sentes-te bem?

− Sim. Tu adormeceste a meio. – Kimberly levantou-se num pulo e acelerou os passos na direção da casa de banho/banheiro. Adam olhou-a tentado perceber o porquê. A sua mão segurava a boca. Ele levantou-se no mesmo instante no qual percebera a lógica.
A porta estava apenas encostada. Ele chegou segundos depois dela. Ela estava sentada no tampo da sanita/privada, a segurar a cabeça entre as mãos.
− Estás bem? – Adam tinha ficado ajoelhado à sua frente e colocou atrás da sua orelha um pedaço de cabelo. A sua resposta parecia tentar formular-se na sua cabeça.
− Eu não sei… − A sua voz parecia assustada e confusa.
− Tu precisas de ir ao hospital. Imagina que é algo grave? – Ele segurava as suas mãos com força. Kimberly continuou sem responder de imediato.
− Não. Não precisa de tanta preocupação. – Kimberly levantou-se com certa dificuldade. Adam continuou na mesma posição.

      Wednesday, 12:02 a.m. Kelly’s House, California
Adam tinha deixado Kimberly em casa. Ele pressentia que ela estava doente, talvez. Mas ela tinha herdado a teimosia da sua mãe, segundo Kelly.
Kimberly não queria ir ao hospital pela suspeita de saber do que se tratava, não queria que Adam soubesse assim daquela maneira direta e dura. A sua cabeça ia a mil, coisas que nunca lhe tinham passado pela cabeça, como?
Ela fazia figas com mais força do que o habitual, pelo desespero, as suas preces não faziam o mínimo sentido, não havia senso para tal. O seu coração parecia querer saltar pela boca.
As suas mãos, no chão gelado do quarto, a sua cara a escaldar pelas lágrimas que formaram minúsculas poças no chão… Era tempo de erguer o corpo e saber a verdade, a verdadeira razão de todo o seu mau-humor, os seus enjoos sobre tudo e a falta de entusiasmo.
Os seus passos que iam sendo alternados entre lentos e rápidos. A sua coragem era tão pouca. Que vergonha! Ela não se conhecia mais, não mais! Ela nunca foi de demonstrar medo, mesmo que a sua alma estivesse a morrer aos poucos.
Ela pousou a caixinha e tirou o teste, leu tudo com calma e atenção para não errar nada, devido à falta de coragem e anseio, teve de reler umas cinco vezes, quase sem efeito. Impossível, as suas mãos tremiam a cada segundo sem a mínima certeza sobre nada.


Os minutos não passavam, não passavam os minutos assinalados naquela caixa. Okay, um exagero certo, porque afinal faltava menos de trinta segundos. Não! Ela não queria saber tudo ao mesmo tempo.
Enquanto o seu pensamento estava longe, o tempo tinha passado. Pegou na sua pequena bolsa e foi com pressa a casa de Adam, ela não se podia conter, mas teria de ser agora ou nunca.
O tempo não ajudava, era chuvoso e com vento forte, o pior para Kimberly. O tempo parecia aliviar, apesar de tudo. O táxi andava devagar devido aos pneus carecas, muito trabalho, certo?
− Menina, chegamos! – O taxista interrompeu os pensamentos sobre nada de Kimberly, um nó ia crescendo na garganta dela. Kimberly pegou numa nota e pagou o que devia.
− Obrigada, Sr…. – Kimberly parou a frase, porque, bem, ela não sabia o seu nome.
− Ryan e, por favor, nada de Sr. Eu só tenho quarenta e um anos. – Ele sorriu e entregou um cartão muito criativo a Kimberly, com nome, número de telefone e um slogan que arrancou uma gargalhada a Kimberly.
− Okay, Ryan! Obrigada, mais uma vez. – Kimberly acenou-lhe e o carro foi-se afastando como uma leve neblina. Kimberly olhou o prédio que tinha inúmeros apartamentos.
Kimberly encarou-o bem e avançou com passos fracos que se alteraram para passos mais pesados. Como ela queria isto fosse diferente.
Kimberly encarava, agora, a porta de entrada do apartamento de Adam. Tocou uma vez só e pôde sentir a presença de Adam a abrir a porta quase que de imediato.
− Ah! Kim! Pensei que tivesses ficado por casa, hoje. – Adam falou surpreendido. – Eu estava a cozinhar algo para comer, antes de ir à biblioteca municipal. Queres entrar? – Adam deu espaço para Kimberly entrar.
Kimberly entrou sem pronunciar nada apesar do olhar pesado e sério. Adam fechou a porta de seguida, aproximou-se dela na tentativa de lhe roubar um beijo, tentativa, Kimberly simplesmente se afastou.
− Nós precisamos falar, a sério. – Kimberly olhou-o nos olhos por poucos segundos. – Podes continuar a fazer o que estavas a fazer. A cozinhar, claro. – Adam virou-se e seguiu para a cozinha.
− Okay, podes falar. – Adam falou e pegou na faca. Ele cortava alguma coisa, algo que Kimberly não tinha dado conta do que era.

− Adam… − Kimberly fez uma pausa para tomar coragem, para tomar vinte segundos de coragem. – Adam… Eu estou grávida… − Kimberly deitou a mão à boca após concluir a sua frase. Pode ver os músculos das costas de Adam a descontrair.




VIII
Leave Me!
Publicado em: 29/08/2015


Ever worry that it might be ruined
Does it make you wanna cry
When you're out there doin' what you're doin'
Are you just getting by
Tell me are you just getting by, by, by
– P!nk in Try

Kimberly entrou sem pronunciar nada apesar do olhar pesado e sério. Adam fechou a porta de seguida, aproximou-se dela na tentativa de lhe roubar um beijo, tentativa, Kimberly simplesmente se afastou.
− Nós precisamos falar, a sério. – Kimberly olhou-o nos olhos por poucos segundos. – Podes continuar a fazer o que estavas a fazer. A cozinhar, claro. – Adam virou-se e seguiu para a cozinha.
− Okay, podes falar. – Adam falou e pegou na faca. Ele cortava alguma coisa, algo que Kimberly não tinha dado conta do que era.
− Adam… − Kimberly fez uma pausa para tomar coragem, para tomar vinte segundos de coragem. – Adam… Eu estou grávida… − Kimberly deitou a mão à boca após concluir a sua frase. Pode ver os músculos das costas de Adam a descontrair.
Ele deslizou as mãos pela bacada arredondada e virou-se, olhando Kimberly.
− Tu o quê?! – Ele não demonstrou qualquer sentimento de alegria ou euforia. Pareceu frio e que não queria acreditar no que ouvira. O coração de Kimberly iria-se partir se isso fosse verdade, se fosse verdade que ele não queria ser pai.
− Eu… estou grávida. Vamos ser pais! – Kimberly tentou demonstrar alegria. O seu corpo aproximou-se de Adam. O seu corpo tremia um pouco, um pouco receoso, talvez. Adam “empurrou” o seu corpo de leve. As suas mãos foram à cara.
− Não! Isto não pode ser verdade! – Adam tentou enganar a sua mente. – Isto é uma brincadeira, certo? – Adam segurou as mãos de Kimberly. Os seus olhos estavam inundados de medo. – Kim?!
− O quê?! Como te atreves a dizer isso? Achas que eu brincaria com isto? Adam?! – Kimberly olhou-o nos olhos. – Tu não queres ser pai?
− Não! Eu não quero ser pai, não agora! – Adam soltou as suas mãos. O seu corpo voltou-se.
− Como assim não? Não queres ser pai? – Kimberly gritou. – Tu levas-me para a cama e depois é assim?
− O quê? Tu só foste porque quiseste, eu obriguei-te? Não, então! – Adam gritou com Kimberly também. Os gritos deles já se deviam fazer ouvir do lado de fora. – Tu vais tirar essa coisa!
− Essa coisa? Essa coisa é o teu filho! Tu fazes parte disto, eu não o fiz sozinha. Mas acho que ele ficará muito melhor assim, sem um pai medroso. Obrigada! – Os olhos de Kimberly ameaçaram chorar pelo mesmo motivo: Adam. Era sempre assim, todos a queriam, mas ninguém tocava o seu coração.
Kimberly saiu do apartamento de Adam a chorar, nem ela mesma sabia se valia a pena. A sua raiva começava a nascer, ela estava farta que as coisas dessem errado, quando antes estavam certas, fazia tempo que não sabia o que era esse sentimento.
Kimberly começou a arrepender-se de ter vindo a pé até casa de Adam. A chuva ameaçava ficar mais forte, não que ela não gostasse da chuva, ela amava, mas agora só lhe lembrava mais as palavras de Adam: “Você vai tirar essa coisa!” Elas ecoaram na sua cabeça como uma assombração.
Kimberly correu para a porta principal da casa, a chuva parecia desaparecer, era confuso ter uma confirmação. As suas mãos húmidas tentaram encontrar a chave de casa.
− Kelly? Kelly?! – Kimberly chamou pela sua tia, mas ela não lhe respondeu. Com certeza estaria a cuidar das jarras de flores ou tinha adormecido ao lado de Richard.
Kimberly “descansou” o corpo ao pensar que Kelly estivesse a dormir ao lado de Richard, ela fazia-o sempre, sempre!
− Kimberly! Chega aqui, imediatamente! – Kimberly rapidamente saltou do seu lugar. Não tinha deitado ao lixo o maldito teste, mas que raio de pessoas deixa uma coisa daquelas em cima do móvel da casa de banho/banheiro?!
− Sim? – Perguntou hesitante, enquanto os seus olhos fechavam lentamente num pedido de ajuda. Kelly nunca tinha gritado pelo seu nome daquela maneira.
− O que é isto? Kimberly responde! – Kelly segurava o teste na mão esquerda, dando, assim, a mostrar a Kimberly. Ela podia jurar que Kelly a comeria viva só com o olhar, os seus olhos arregalados formaram o nó na garganta de Kimberly.
− Isso é… Bem isso… − Não sabia como dizer, não tinha explicação mais clara. A sua mão suada, devido ao nervosismo, esfregava o seu braço direito.
− Tu estás grávida? Grávida? Sabes que idade tens? Tu tens apenas dezassete anos! – Kelly gritou com Kimberly. A sua voz suava a desespero, a dor e a medo. Já não a tratava por Kim, mas por Kimberly.
− Não foi a minha intensão! – Kimberly perdeu-se no seu choro. Richard desceu as escadas apressado, era impossível não ouvir os gritos das duas e não querer saber o porquê. – Eu juro que não…
− Para! Simplesmente, para! Vocês são uns irresponsáveis! O Adam é o pai da criança? – Kelly questionou Kimberly como se fosse o fim do mundo, as suas perguntas nasciam do nada e eram totalmente aleatórias, sem mais nem menos.
− Sim, ele é o pai. – Kimberly hesitou em responder, talvez pela desilusão que lhe lembrava sempre que falava ou ouvia o nome de Adam Walter. Richard abraçou Kimberly de lado e beijou a sua testa. Kelly deitou o teste fora com frieza.
Richard acompanhou a saída de Kelly com o olhar, ele não sabia o porquê de ambas estarem a discutir e a gritarem com tanta força. O seu corpo abraçou automaticamente Kimberly.
− Grávida? – Richard falou baixo. Kimberly assentiu com vergonha e falta de ânimo para mais um sermão. Só que não, Richard apenas colocou a mão sobre a cabeça dela e fê-la deitar sobre o seu peito. O choro de Kimberly ficou mais forte, ela começou a hiperventilar. – Calma, tudo vai dar certo! Okay?
− E se não der? – Kimberly falou baixo e rouco. – O que farei?
− Ouve, Kimberly. A tua tia, ela está apenas assustada e com medo daquilo que esta mudança possa trazer. A tua vida é mais importante do que qualquer outra coisa. Fica a saber que quando nos conhecemos, ela assumia-te como filha dela, filha de sangue e não adotiva. Ela tem medo de te perder da mesma maneira com que ela quase se perdeu.
− Como assim? Como assim de me perder da mesma maneira com que ela quase se perdeu? – O choro de Kimberly tinha cessado um pouco mais. – Richard, já que começou, acabe!
− Okay, tu estás certa. A tua tia teve um namoro que durou sete anos, bem antes de ficar contigo, ela ficou grávida e os pais não gostaram tanto da notícia quanto ela. Eles forçaram-na a fazer um aborto ilegalmente, o que originou uma infeção. A partir daí, ela ficou com dificuldades em engravidar. – Um grande “o” formou-se na cara de Kimberly.
− A sério? Ela nunca me falou nisso. Acho que ela continua magoada com o passado.− Richard acariciou o seu cabelo. – Agora, acho que tenho de ir. – Richard olhou-a de modo a interrogá-la. – Vou para casa da Millena, acho que os ânimos estão muito quentes. – Mentira.
− Claro! Eu aviso a tua tia disso, já agora – Richard parou Kimberly – Este rímel sai da minha camisa, certo?
− Isso aí eu não tenho certeza! – Kimberly riu e Richard acompanhou as gargalhadas.
Kimberly fechou a porta das traseiras e caminhou receosa, muito receosa. Ela apenas queria chorar, mais do que aquilo que já tinha chorado. As suas pernas tremiam pela fraqueza e os seus olhos não enxergavam mais o caminho.
Ela parou na praia mais próxima que ficava a poucos metros da sua casa. A areia fina e gelada fazia-a arrepiar-se e a brisa fazia-a ficar tonta, o som das batidas do mar era como uma canção de embalar.
O som crescente do telemóvel/celular no bolso de atrás chegava aos ouvidos de Kimberly, mas que devido à visão cansada não conseguia ver o nome da pessoa que fazia a chamada.

− Sim? – Atendeu em dúvida. – Quem fala?
− Quem fala? Como assim? Apagaste o meu número, vadia? – Millena riu do outro lado da linha. – Kim? Estás bem? – Millena conseguiu ouvir o choro baixo de Kimberly. – Kim?!
− Sim, Mill. Não está nada tudo bem, eu não sei mais o que se está a passar. Por favor, vem só ter comigo, eu estou na praia mais próxima da minha casa, sim? – Mill sentiu-se inútil naquele momento, a sua melhor amiga estava mal e ela estava a leste das coisas

Wednesday, 12:01 p.m. Beach, California
− Kim? Kim! – Millena gritou pelo seu nome na esperança que Kimberly respondesse. − Garota! O que estas a fazer aqui, já é meia-noite! – Millena chamou a atenção da garota que abraçava os joelhos e não pronunciava nem sequer uma palavra.
− Eu estou grávida, Millena. – Kimberly encarou o mar pouco, muito pouco nítido. Os seus braços gelados abraçavam as suas pernas molhadas pelas suas lágrimas.
− Sim, isso é muito bom… − Millena procurou algo na sua bolsa tão atentamente, que as palavras de Kimberly não tinham sido filtradas. – O quê? Como assim? – Millena largou a sua bolsa na areia fina e sentou-se perto de Kimberly.
− Por favor, mais um sermão, não! – Kimberly pediu com a pouca força que lhe restava.
− Já contaste ao Adam? Kimberly fala comigo. – Millena ignorou o pedido de Kimberly, uma vez mais, dobrou os joelhos e sentou-se ao lado de Kimberly.
− Já! – Millena pediu que contasse mais alguma coisa. – Ele não quer ser pai, Mill! Ele enxotou-me como um cão. – Kimberly utilizava, agora, palavras baratas.
− Eu já sabia.− Millena coçou a sua nunca, Kimberly não entendia o que ela pretendia dizer. – Kim, tu precisas de saber uma coisa…
− O quê? Que afinal sou uma vadia? Porque com certeza ele tem alguém, que se chama Alicia? – Millena arregalou os olhos. Como podia Kimberly saber disso?
− Como sabes sobre ela?
− Eu li uma mensagem tua, foi há uns meses. – Millena coçou novamente a cabeça. Ela tinha que contar, porque sabia que Adam não o faria tão cedo.
− Não, Kim! Para um pouco e ouve, sim? Talvez as respostas que procuras estejam à tua frente, sim? – Millena agarrou nos pulsos de Kimberly. – Como tu sabes, o Adam, ele era um bom aluno, bom namorado, bom garoto… No fundo, as garotas queriam a sua atenção, sempre e de qualquer maneira! Ele teve uma namorada por cinco longos anos, até que nos últimos dois anos a relação começou a ficar monótona e repleta de ciúmes, da parte dela. – Kimberly olhou séria Millena. – Alicia, era o nome dela. Adam não podia falar ou olhar para uma garota, que ela começava a imaginar coisas perversas, ele queria terminar com ela. Um dia ela chegou em casa dele e contou-lhe que estava grávida dele. Adam abdicou de muitas coisas e ficou com ela, só que nada daquilo era verdade. A Alicia era uma aldrabona, simples!
− Como é que ele descobriu isso? – Kimberly pousou a cabeça nas pernas de Millena, enquanto esta fazia carinhos no cabelo de Kimberly, embora ela odiasse isso.
− O Adam perguntava-lhe o porquê da gravidez dela ser tão calma e a barriga estar um pouco pequena para cinco meses. Ela não aguentou a pressão e admitiu.
− É por isso que ele não quer compromissos tão cedo? – Millena assentiu.

Friday, 15:13 p.m. Kelly’s House, California
Faziam algumas semanas desde que Kimberly soube que carregava um pequeno “anjinho”. Tudo tinha voltado ao normal, Kelly desculpou-se e cuidava mais que nunca de Kimberly, Richard bancava de “avô babado”, Millena e Mia ocupavam agora um lugar mais especial.
O passar do tempo fazia a barriga de Kimberly ganhar tamanho. Com isso vinham os quilos a mais, que bem, a faziam perder a cabeça.
Ela falava sempre para Mia e Millena que estava gorda e feia, que nunca conseguiria ficar com alguém assim, nunca mais. Felizmente, elas estavam lá, para lhe levantar o ânimo e a entreter.
− Ah, não! Estas calças estão tão justas! – Kimberly experimentava a roupa do seu armário, mais um par de jeans pouco usados voaram. Mia e Millena bateram na testa pela milésima vez.
− Kimberly, tu estás grávida, meu amor! É normal. Além, tu estás muito mais gata assim. – Mia abraçou Kimberly por trás. Millena fingiu um tipo estranho de tosse. – Meu amor, eu sempre te amarei! – Millena deu um selinho a Mia.
− Mia, acho que temos que ir. – Millena olhou para o relógio.
− Ir para onde?
− Consulta de rotina da Mia, e para fechar com chave de ouro, ela tem o carro na oficina. – Mia encolheu os ombros e riu. – Vamos? – Millena e Mia despediram-se da garota e saíram porta fora.
Ultimamente, Kimberly começou a perceber o porquê de Millena amar tanto Mia. Ela era especial, alguém que devia manter por perto.

Kimberly dobrava algumas roupas, aquelas que lhe serviam, num gavetão qualquer, até que sentiu uma dor no fundo da sua barriga, que lhe lembrara as dores menstruais.




IX
This Is Our Little Angel
Publicado em: 22/11/2015


When you were born
The angels sighed in delight
They never thought they'd see such a beautiful sight
– Beyoncé in God Made You Beautiful

Friday, 15:13 p.m. Kelly’s House, California
Faziam algumas semanas desde que Kimberly soube que carregava um pequeno “anjinho”. Tudo tinha voltado ao normal, Kelly desculpou-se e cuidava mais que nunca de Kimberly, Richard bancava de “avô babado”, Millena e Mia ocupavam agora um lugar mais especial.
O passar do tempo fazia a barriga de Kimberly ganhar tamanho. Com isso vinham os quilos a mais, que bem, a faziam perder a cabeça.
Ela falava sempre para Mia e Millena que estava gorda e feia, que nunca conseguiria ficar com alguém assim, nunca mais. Felizmente, elas estavam lá, para lhe levantar o ânimo e a entreter.
− Ah, não! Estas calças estão tão justas! – Kimberly experimentava a roupa do seu armário, mais um par de jeans pouco usados voaram. Mia e Millena bateram na testa pela milésima vez.
− Kimberly, tu estás grávida, meu amor! É normal. Além, tu estás muito mais gata assim. – Mia abraçou Kimberly por trás. Millena fingiu um tipo estranho de tosse. – Meu amor, eu sempre te amarei! – Millena deu um selinho a Mia.
− Mia, acho que temos que ir. – Millena olhou para o relógio.
− Ir para onde?
− Consulta de rotina da Mia, e para fechar com chave de ouro, ela tem o carro na oficina. – Mia encolheu os ombros e riu. – Vamos? – Millena e Mia despediram-se da garota e saíram porta fora.
Ultimamente, Kimberly começou a perceber o porquê de Millena amar tanto Mia. Ela era especial, alguém que devia manter por perto.
Kimberly dobrava algumas roupas, aquelas que lhe serviam, num gavetão qualquer, até que sentiu uma dor no fundo da sua barriga, que lhe lembrara as dores menstruais.
Era impossível ser a sua menstruação. Ela estava grávida e não tinha gostado nada daquela sensação, ela não tinha gostado de nenhuma sensação que não fosse vulgar na sua gestação.
As suas pernas pesavam, parecia que estava a arrastar pesos de cinquenta quilos em cada uma delas. Sentou-se o mais depressa possível, o seu corpo parecia estar a rebentar de dores, também.
Ela não se sentia muito confortável ali parada. Ninguém estava em casa para a ajudar. Kelly tinha ido fazer a manutenção das luzes no cabelo e Richard tinha ido à pesca com amigos de longa data.
Kimberly deixou-se escorregar pelo sofá, de modo a sentir o chão branco e frio, o que desencadeou um efeito calmante. A sua cabeça virou para pegar o seu telemóvel/celular que estava preso no sofá, entre o assento e a mãozeira. A sua atenção foi para o rasto contínuo de sangue no assento do sofá, nada bom!
A sua mão deslizou entre as suas pernas e o que ela esperava confirmou-se. A sua mão ensanguentada confirmou o seu alerta de aborto. A sua mente pedia para gritar ou espernear, mas a sua boca manteve-se fechada.
Rapidamente, pegou no seu telemóvel/celular e abriu a lista de últimos contactos. O nome de Adam prevalecia no topo da lista, ela tinha esquecido que durante estas semanas tinha-se desligado do mundo das redes sociais. Os seus dedos clicaram, aflitos, no nome de Adam. Os sinais de “Tu…Tu…” começavam até uma voz masculina atender.
− Kim? – Adam atendeu com uma nota de curiosidade, Kimberly teve apenas segundos para matar saudades até perceber que ele repetiu o seu nome de novo.
− Adam – Kimberly chamou pelo seu nome e gemeu de dor, em seguida. – Eu preciso que me leves até ao hospital pa… − Kimberly simplesmente parou de falar e a linha ficou muda, totalmente.
− Kimberly! Kim fala comigo! – Adam gritou sem êxito. Desligou a chamada e procurou no seu bolso a chave da casa de Kelly, aquela que ele nunca teve coragem de devolver.

Friday, 15:20 p.m. Kelly’s House, California
Adam tinha demorado pouco tempo a chegar a Kimberly. As suas mãos tremiam pelo motivo de não saber o que poderia encontrar em casa de Kimberly. Girou a chave, bateu a porta e correu para a sala
A imagem de Kimberly desmaiada no chão com sangue no seu vestido e à sua volta, destruiu o seu coração, fê-lo pensar se queria viver longe de Kimberly.
Adam deu pequenas batidas na cara de Kimberly, sem êxito, o que fez o seu sangue ferver e pesar a sua consciência. Os seus braços pegaram delicadamente no corpo de Kimberly, mais pesado agora.
O hospital mais perto dali ficava bem perto, só que o pequeno trânsito que se formava da casa de Kelly até lá era suficiente para enlouquecer qualquer um.

Friday, 15:28 p.m. Hospital Of Santa Barbara, California
Adam nunca foi uma pessoa impaciente ou mal-humorada, a imagem de Kimberly desmaiada à sua frente é que teve efeitos secundários na sua mente. A cada seis perguntas que a recepcionista fazia, Adam maltratava-a de duas em duas perguntas, consequentemente, desculpava-se e era respondido com um sorriso sábio da recepcionista que rondava os seus cinquenta anos. Kimberly começou a segurar a mão de Adam, tentando levantar as pálpebras.
Kimberly foi levada com pressa por alguns médicos que falavam palavras difíceis, enquanto dois outros médicos tentavam acalmar Adam, que se esclareceu como namorado e pai da criança que Kimberly carregava, a sua visão seguiu em câmara lenta o afastamento de Kimberly na maca branca e ensanguentada.
Faziam vinte e cinco minutos desde a entrada de Kimberly, vinte e cinco minutos. Adam começava a não conseguir controlar as lágrimas, era tempo demais para chegar alguém e dizer-lhe “Não é nada.” Havia passado um homem com os seus trinta e oito/quarenta anos para visitar o seu filho mais novo, ele conversava animadamente sobre isso com o filho mais velho. Que raiva, ele tinha dele mesmo!
Adam reconheceu um dos médicos que tinha levado Kimberly para dentro, caminhar na sua direção. Ele mexia em alguns papéis, ora para a frente ora para trás. Ele sorriu para Adam.
− Será que me pode acompanhar? – Dr. Fitzgerald, o que se podia ler no crachá que tinha ao peito, colocou a prancheta com os papéis que tinha mexido segundos atrás, debaixo do braço.
Adam e Dr. Fitzgerald avançavam rápido, melhor dizendo, Dr. Fitzgerald tentava acompanhar os passos largos de Adam. O quarto de Kimberly tinha passado para o terceiro andar, a secção de Maternidade, gravidez no geral.
− Bom, Sr. Walter, o que a Kimberly teve, digamos – Dr. Fitzgerald mexeu nas duas primeiras folhas. Novamente as palavras difíceis sobre diagnósticos tinham começado. Alguns nomes sobre doenças simples ficavam e permaneciam no ar. Mesmo que ele estudasse para aquilo, havia muitas coisas que pareciam uma língua estrangeira para ele. – Ela teve algum tipo de esforço ou stress? – Aquilo pareceu uma flecha que tinha transpassado o seu corpo.
− Talvez… − Adam coçou a nuca e encarou o chão azul pálido.
− Já duvidava disso. O stress e o esforço foi a causa do início do aborto espontâneo. Uns minutos a mais e poderia ter abortado, de vez. – Dr. Fitzgerald olhou-o por cima dos óculos e sorriu amavelmente. – Kimberly irá receber alta dentro de uma hora, porém, se quiser, pode ficar com a Kimberly até ela ir embora. Ah, só mais uma coisa, a Kimberly tomou alguns calmantes, ela deverá acordar daqui a pouco. – Adam olhou pela pequena abertura das precianas da janela do quarto, Kimberly mexia-se levemente, talvez estivesse a despertar.
− Claro… − Adam assentiu. A sua vontade de entrar no quarto de Kimberly era imensa, mas ao mesmo tempo que não queria enfrentar o olhar, provavelmente, frio de Kimberly, cheio de razão. Dr. Fitzgerald afastou-se a passos largos, para ouvir mais pacientes e pessoas na sala de espera.
Adam mal percebia uma vida de médico, mesmo estando tão perto de o ser. O nervosismo deixava-o sem perceber o que as longas e complicadas palavras dos diagnósticos queriam dizer.
Girou os calcanhares e abriu a porta transparente do quarto de Kimberly. Esta possuía algumas “agulhas” espetadas em si entre outros, o que causou certa uma agonia nele. Porém, ele recordava-se que tinha provocado tal efeito.
− Adam… Obrigada por me teres trazido até cá. Agora, podes ir. – A sua voz era arrastada, os seus olhos permaneciam fechados. Adam tinha-se sentado na poltrona no lado esquerdo de Kimberly, para onde o seu rosto estava virado. Após terminar a sua frase, virou o rosto para o outro lado, sinal de tristeza.
Adam levantou-se e andou para o outro lado. Com as mãos nos bolsos, ajoelhou-se e viu a pequena lágrima que tinha escorrido face abaixo de Kimberly, provavelmente, por ter ouvido o caminhar de Adam.
− Eu não conquistei o teu coração para te perder. – Adam limpou a sua lágrima e deslizou a sua mão direita até à sua barriga. Kimberly teve um pequeno arrepio, colocou a sua mão sobre a de Adam. – Eu não te consigo esquecer ou deixar de amar. Acho que tu roubaste o meu coração egoísta e autodestrutivo.
− Eu não te devia perdoar… − Kimberly sorriu entre lágrimas.

Wednesday, 5:03 a.m. Adam’s House, California
Adam e Kimberly tinham-se perdoado, ambos não se conseguiam odiar por muito mais tempo, por mais que se quisessem odiar. É impossível odiar quem tu desejas.
Kelly quis matar Adam com o olhar, na verdade, ela até lhe tentou acertar com alguma coisa. Era sempre assim, se alguém fizesse algo com ela ou com alguém importante, cuidado com as cabeças! Porém, o seu coração frágil e sempre compreensivo fazia ver o que a mente não entedia.
Kimberly vivia praticamente em casa de Adam, era a sua segunda primeira casa. Adam vivia entre aqui e ali pela faculdade, e muitas das vezes dormia nas aulas. Adorava a forma de como era ser amada de novo, sem ser pelo interesse ou algo tão idiota e horrível quanto a pessoa.
Adam tinha o hábito de acarinhar a barriga de Kimberly, todas as noites. Ele adorava a forma pouco convencional que a sua vida tinha tomado. Tinha encontrado um amor, um amor que queria levar para a sua vida. Era honroso saber amar de verdade uma mulher, a mulher certa.
Tinham-se passado cinco meses e meio, eram apenas cinco horas com poucos minutos da manhã, Adam sentiu Kimberly remexer algumas vezes, parecia que não estava bem, ela já tinha bufado de descontentamento. Ela acabou por se levantar e caminhar para a casa de banho/banheiro.
Kimberly ficou alguns minutos por lá, o que para Adam pareceram horas. Ele pôde sentir o movimento rápido de Kimberly, a sua preocupação era notável.
− Adam? Adam acorda, por favor! – Kimberly abanou-o, literalmente, os ombros de Adam para que este acordasse. Ele bufou e fez uma cara feia.
− Ah, não! Por favor não me digas que tenho de ir comprar alguma coisa para ti em plenas cinco da manhã, oh poupa-me! – Adam cobriu a cabeça com a almofada.
− Não, porra! – Kimberly estava nervosa. – Levanta-te e olha para o teu lado esquerdo. – Kimberly pediu, tentando acalmar-se.
− Porque… − Adam fez o que lhe foi pedido em meio de bufos, viu a poça de água e sangue ao seu lado, aquela imagem fê-lo saltar de imediato. – Kimberly, o nosso filho vai nascer! – Adam estava agora mais nervoso, com o sangue a pulsar mais forte, que a própria que ia dar à luz.
Adam estava com o coração nas mãos, de verdade. Kimberly começou a ficar fraca, com a respiração descompassada e as suas pálpebras teimavam em fechar, agora Adam começou a passar todos os semáforos vermelhos, a sua paciência era mínima, se era que ela alguma vez existiu.
No hospital, a mesma recepcionista atendeu-o de imediato. O que Adam pensava que demoraria séculos, na verdade, a recepcionista preencheu em questão de três minutos. Vamos de novo às semelhanças do passado? Dr. Fitzgerald atendeu de novo Kimberly, o homem que aparentava estar bastante preocupado e falava com algumas enfermeiras, que rápido se dispersaram pelos corredores.
Kimberly murmurou algumas coisas, coisas indecifráveis para os ouvidos de qualquer ao seu redor. A sua mão direita apertava a de Adam, que continuou a acarinhar a sua cara, agora, deitada sob a maca. Kimberly parecia que estava completamente drogada, com uma aparência frágil e debilitada.
Rapidamente, Adam foi impedido de seguir com Kimberly. Aquilo não era nada bom! A maca onde Kimberly seguiu foi direta à sala de cirurgias. Ele odiava-se por ter rejeitado Kimberly, porque estava prestes a perde-la.
          
Wednesday, 05:48 a.m. Hospital, California
Adam odiava sair de casa sem relógio, sentia a necessidade de se aperceber do tempo. Pelas suas contas, deveriam ter passado mais de quarenta minutos. É deveras torturante.
Tinham passado mais dez minutos, no máximo, e Dr. Fitzgerald folheou algumas coisas e sorriu ao mesmo tempo. Ele achava piada à forma de como Dr. Fitzgerald folheava as folhas, lia-as rapidamente sem ir contra em alguém.
− Sr. Walter? – Dr. Fitzgerald sorriu. – A sua filha nasceu há pouco mais de seis minutos, com quarenta e oito centímetros e 3,408 kg. Parabéns, é um homem de sorte! – Dr. Fitzgerald deu uma palmada no ombro de Adam. – Quer visitar a Kimberly?
Dr. Fitzgerald guiou Adam no meio da pouca agitação às cinco/seis horas da manhã, o que era realmente raro e “incrível”. Embora o seu coração batesse mais do que em qualquer outra ocasião, Adam continuou nervosamente calmo. O seu quarto não era assim tão longe, o andar era o mesmo e o quarto mais perto que da última vez. Parecia que o corredor tinha aumentado de tamanho.
Após chegarem ao quarto, número trezentos e quatro, Dr. Fitzgerald bateu na porta suavemente, pronunciou algumas palavras, talvez a uma segunda pessoa presente no quarto, devido ao tom diferente de voz.
– Pode entrar! – Deixou a porta aberta para que Adam pudesse entrar e foi embora, provavelmente ouvir mais paciente a queixarem-se de dores com queixumes da vida juntamente.
− Olá. – Adam fechou a porta sem provocar grande barulho. Havia uma enfermeira com uma farda rosa bebé, a farda do andar de maternidade, ela estava a orientar Kimberly, para que soubesse como se pegava e amamentava corretamente o bebé.
Adam sentou-se na cama de Kimberly e selou os seus lábios com os dela, o ser que estava a ser amamentado por Kimberly sugava rapidamente o leite, enquanto transmitia toda a paz e angelicalidade mesmo tendo poucos minutos de vida. Uma lágrima rolou pela face de Adam, a sua filha agarrava com a sua mão pequena o indicador de Adam
A enfermeira tinha ido embora havia escassos minutos, Kimberly queixava-se de algumas dores, mas aquelas dores não tinham remédio imediato, passariam conforme as horas. Adam parecia ter nascido para ser pai, o seu jeito paternal e a sua delicadeza para lhe pegar.
− Que nome lhe vamos dar? – Kimberly perguntou enquanto se mexia, roupas de hospital eram desconfortáveis demais.
− Claire? – Havia uma nota de incerteza na sua voz. Adam falou sem tirar os olhos da sua filha. Kimberly parecia ter mudado a sua expressão, parecia olhar em todos os cantos do quarto branco com tons de rosa. – Algum problema?

− Era o nome da minha mãe. – A sua voz não continha qualquer tipo de entusiasmo e desânimo, estava baça e apagada. Adam tentou-se desculpar apenas com o olhar, porque ela não o deixou falar. – Sem problema, acho que é uma excelente ideia! – Claire sorriu nos braços de Adam, como se apercebe-se daquilo que se passava ao seu redor.



X
I Think… I Think I Wanna Marry You!

Publicado em: 21/02/2016



It's a beautiful night
We're looking for something dumb to do
Hey, baby
I think I wanna marry you
Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares, baby?
I think I wanna marry you
– Bruno Mars in Marry You

Adam sentou-se na cama de Kimberly e selou os seus lábios com os dela, o ser que estava a ser amamentado por Kimberly sugava rapidamente o leite, enquanto transmitia toda a paz e angelicalidade mesmo tendo poucos minutos de vida. Uma lágrima rolou pela face de Adam, a sua filha agarrava com a sua mão pequena o indicador de Adam
A enfermeira tinha ido embora havia escassos minutos, Kimberly queixava-se de algumas dores, mas aquelas dores não tinham remédio imediato, passariam conforme as horas. Adam parecia ter nascido para ser pai, o seu jeito paternal e a sua delicadeza para lhe pegar.
− Que nome lhe vamos dar? – Kimberly perguntou enquanto se mexia, roupas de hospital eram desconfortáveis demais.
− Claire? – Havia uma nota de incerteza na sua voz. Adam falou sem tirar os olhos da sua filha. Kimberly parecia ter mudado a sua expressão, parecia olhar em todos os cantos do quarto branco com tons de rosa. – Algum problema?
− Era o nome da minha mãe. – A sua voz não continha qualquer tipo de entusiasmo e desânimo, estava baça e apagada. Adam tentou-se desculpar apenas com o olhar, porque ela não o deixou falar. – Sem problema, acho que é uma excelente ideia! – Claire sorriu nos braços de Adam, como se apercebe-se daquilo que se passava ao seu redor.

Sete Anos e Meio Depois

Kimberly não podia ter desejado mais do que Adam para pai dos seus filhos. Parecia ter nascido para ser pai. O seu carinho e paciência eram incrivelmente admirável.
Kimberly poderia ficar horas a relembrar momentos em que deu com Adam e Claire em momentos de pai e filha, verdadeiros momentos, verdadeiros momentos em que ele se demonstrou ser a pessoa com que ela queria envelhecer.

Kimberly gritou pelo nome de Adam, o que detestava fazer pelo simples facto de Claire ter apenas cinco meses e puder acordar com o mínimo sonido, então se fosse a voz da mãe ou do pai, o caso era bem pior, acordaria até com os passos deles.
A garota não obteve qualquer resposta, gritou de volta, passos a andarem sobre o chão de madeira,… nada! O que se estava a passar? O que tinha acontecido para Claire não acordar a gritar ou ouvir Adam a correr feito louco?
Avançou pelo apartamento em direção ao quarto de ambos. Provavelmente, Adam estaria a trabalhar abstraidamente em algum projeto da faculdade, que ultimamente estava a exigir muito de cada um dos alunos.
Abriu e entrou de rompante no quarto, ela nem queria saber da imagem que esperava por ela. Kimberly começou a falar sem parar e pegou na sua bolsa pequena que tinha na cadeira da secretária de Adam. Ela notou que Adam não estava lá sentado a matutar sobre algum trabalho de pesquisa sobre uma doença rara, nojenta e altamente contagiosa.
O seu olhar já preocupado, enquanto a sua mente imaginava uma cena digna de CSI: Las Vegas ou Criminal Minds, já tinha ido além do possível e já nem conseguia gritar, se fosse preciso.
Os seus calcanhares giraram sobre a madeira e pôde ver Adam dormir com Claire entre o espaço que os braços de Adam formavam. As pequenas mãos tentavam segurar o dedo indicador de Adam. Muito provavelmente, Adam teria insistido para que Claire dormisse, porque há duas horas atrás o choro de Claire percorria os corredores de lés-a-lés.
Kimberly puxou a parte baixa do longo vestido que usava para irem jantar a casa dos pais de Adam, logo se sentou próxima a Adam e acariciou os seus cabelos. Adam despertou, mas não abriu os seus olhos, apenas sorriu sem mostrar os dentes.

Ou até mesmo um outro caso que fez o seu coração palpitar e pensar seriamente que Adam tinha sido a melhor loucura adolescente que ela tinha feito.

Kimberly sabia que, com certeza, Adam estava em casa, devido à sua folga, ou talvez não, não seria a primeira vez que chamariam Adam por haver uma emergência no hospital e que precisassem dele.
A casa inteira ecoou o nome de Adam. Sem sinal ou grito de retorno para Kimberly. Ela odiava quando aquilo acontecia. Ela tinha que segurar a mão da fé e ver como Claire, agora com cinco anos, estava.
Adentrou pelo quarto e recuou devagar. Adam brincava, sentado no chão, com Claire. Esta tinha-lhe posto um grampo rosa e fazia o “Chá das Cinco”, incluindo-o a ele e às suas Barbies.
“Eu não quero imaginar quando fores avô…” Kimberly pensou para consigo, sem poder imaginar ao que a sua loucura tinha levado, que tinha valido a pena Adam a ter abandonado temporariamente, ela achava que tudo tinha o seu propósito.
Deus dava um mal e um bem juntos.”

Mas sempre foi assim, sempre que pensava no nome de Adam Martín Kinney Walter. Amava a sua maneira de a amar, de detestar o que lhe incomodava, mas o seu amor só crescia de dia para dia. Só queria ficar acompanhada dele para além do infinito. Queria apreciar cada gargalhada, cada cicatriz das suas missões enquanto médico e queria fazer troça da sua tatuagem do pequeno pássaro na sua costela esquerda, que só ela podia ver sempre, sempre que tirava a camisa.
Era por isso que se sentia tão leve ao seu lado, não tinha medo de errar como Humana, ela possuía a fé que qualquer um possuía quando está completo e feliz consigo e com os outros. Kimberly não era uma mulher mal resolvida.
Adam fora, em tempos, obrigado a crescer com a possibilidade para um filho que nem existia. Fechando-se, fechando o seu lado paternal numa caixa, que com o tempo se poderia vir a arrepender.
Ele só agradece a Kimberly por lhe ter dado um anjo, por Claire ter parte do seu sangue, por ter herdado parte dos seus genes e características. Tal como agradecia o facto de Kimberly ser a mãe dos seus filhos e em breve a sua esposa…
Adam dava com ele mesmo a olhar de soslaio para Kimberly através do espelho da casa de banho do quarto deles, aí ele conseguia ver com nitidez quem possuía ao seu lado. Kimberly já não era uma garota com curvas de mulher, era uma mulher com curvas dignas de mulher.
Ele conseguia ver cada curva do seu corpo com desejo quando ela acordava, com cabelos caóticos e um pouco enrolados, enquanto posicionava o seu soutien; Kimberly nunca gostou nem nunca se afeiçoou a usá-lo durante o seu sono. Sempre dormia abraçada a Adam com uma camisa larga que pertencia a Adam.
Tudo tinha o seu perfume, era como se uma maldição o perseguisse.
Adam e Kimberly preocupavam-se em dar tudo o que Claire precisasse, sobretudo amor e carinho. Eles tinham-se habituado tão facilmente ao respirar sereno de Claire. Adam aquietava sempre Kimberly, após dois meses do seu nascimento, preocupava-se em que algo se passasse com a pequena menina durante a sua ausência.


− Papá! Papá! – Claire correu com os braços a balançar delicadamente na direção de Adam, abraçando as pernas do mesmo. Adam não demorou a pegar na pequena no colo e parar de preparar os pequenos-almoços/cafés da manhã.
− Claire! O que estás a fazer aqui tão cedo? Podes ir dormir mais um pouco até começarem os teus desenhos animados. – Adam beijou o topo da testa da filha e sorriu.
− A mamã não parecia estar muito bem-disposta. Eu fui para lá para dormir com ela. Mas ela não estava lá, estava a queixar-se na casa de banho/banheiro. – Adam desfez o sorriso e cismou no que Claire tinha acabado de dizer. Não era a primeira vez que Kimberly passava por situações de mal-estar e, para não falar, de há muito pouco tempo atrás.
− Ah sim? – Adam colocou-a no chão. – Vamos ver a mamã?


Claire foi à frente do seu pai, sempre em pequenos saltos e risos. Adam dava passos grandes e frios. Não gostava quando Kimberly passava mal e não falava sobre isso, era normal a sua reação, era uma reação de médico preocupado com a sua esposa.

− Kim?! – Adam ficou parado na porta ao ver Kimberly sentada com as pernas flexionadas. A mulher de cabelos, agora, com luzes claras, olhou para Adam surpreendida.
− Não devias estar no trabalho?! – Kimberly pronunciou-se atrapalhada, tanto como se tivesse um peso no corpo. A visão sobre Adam era desfocada e incerta.
− Não! Ainda é um pouco cedo para ir já para o hospital, não achas? – Kimberly olhou para o relógio e viu que de facto era cedo, dado que Adam tinha avisado que naquele dia entraria um pouco mais tarde.
Adam tirou o seu longo curso de seis anos há quatro anos e meio. Um dos tios pode empregá-lo quase como imediato, a ele e um outro colega. Foi um longo trabalho e árduo. Estudar, trabalho num part-time e cuidar de Kimberly e Claire foi um momento de glória, para poder perceber que possuía capacidade para formar uma família e árduo pelo simples facto de adormecer nas primeiras aulas do dia.
Kimberly começou o seu curso em Desenho Industrial, mais especificamente para designer de jóias, o que foi uma surpresa para Adam, quando Claire completou quatro anos de vida, deixando-a assim em casa da sua tia ou com Mia e Millena.
Mia e Millena tinham-se casado há pouco mais de dois anos. Millena ganhou coragem e assumiu-se bissexual para os seus pais, que ficaram surpreendidos, mas rapidamente soltaram um “Se tu és, nós não te podemos odiar por isso.”, O que amenizou o peso do seu coração. Mia tinha conseguido amenizar as coisas lá por casa, melhor, com os seus pais super retrógrados. Agora, depois de se assumirem e serem aceites e casarem, crescia a forte vontade de serem mães.


Tinham-se passado três dias depois daquele episódio que colocou a pulga atrás da orelha de Adam. Conforme os dias iam passando, Kimberly demonstrava uma certa dificuldade em ficar ativa durante todo o dia, mesmo só faltando seis meses para acabar o seu curso.
Kimberly chegou a casa depois de mais um dia extenuante, às dezoito e vinte e cinco minutos. Assim que adentrou em casa, havia um silêncio que nunca tinha ouvido. Era estranho sentir o movimento de algo, as luzes apagadas e algos baralhos de fundo.
O seu corpo avançou no sentido do interruptor e as luzes ligaram-se, moveu-se pelo corredor e viu movimento de algumas pessoas no jardim das traseiras e bastante iluminação. Kimberly pousou a mala numa mesinha de decoração.
− Adam, ela chegou! – Millena gritou para Adam que se encontrava ao seu lado. Rapidamente, o homem ao seu lado estremeceu, olhando-a sem expressão certa.
Adam pediu a atenção das pessoas presentes ao seu redor, alguns familiares e amigos que apressadamente reconheceu, tais como Mia e Millena, já referida, Kelly e Richard com o filho de ambos, Lucas. Adam estava com roupa casual e com o perfume preferido de Kimberly, fazia-a lembrar dos seus tempos de liceu, de quando o conheceu. As pessoas presentes viraram o olhar e deram toda a sua atenção para aquele momento.
Kimberly pôde notar o nervosismo nas suas mãos e sentir o seu coração a palpitar loucamente, a mesma reação quando pegou em Claire pela primeira vez. Adam colocou a bebida numa mesa montada de improviso.
− Kimberly Ricci… − As palavras pareciam faltar tal como a sua respiração. – Hoje é um dia muito especial, o dia em que decidi que era o dia certo… – Kimberly franziu o sobrolho já adivinhando o que viria por aí. – Acho que nunca tive a consciência de que tinha sido abençoado com uma mulher maravilhosa, que me basta olhar a sorrir como só ela faz para me sentir especial. – Adam segurou nas mãos de Kimberly que se recusava a olhar para ele, porque sabia que desabaria ali mesmo. − Posso ficar horas a olhá-la que vou sempre encontrar algo que nunca reparei, uma paisagem que queremos admirar para sempre. – Adam limpou a lágrima que escorria face abaixo de maneira subtil. − Desde que a vi pela primeira vez, tive a certeza que ela faria parte da minha vida, que faria parte dela para toda a vida. – Adam tentava acelerar o seu discurso. – Apesar de algum sofrimento, eu só posso pedir desculpas, mas isso faz parte, certo? Não há maneira de contornar as peripécias da vida. Tenho a certeza que fui abençoado por anjo. − Kimberly desabou ali e olhou o céu estrelado, que parecia ter-se unido para ajudar Adam, este soltou as mãos de Kimberly e procurou alguma coisa no bolso esquerdo e tirou. Era uma caixa de veludo borgonha que foi aberta com pouco esforço, mas que mesmo assim continuou virada para ele.
− Não há dúvidas pendentes comigo mesmo, apenas uma dúvida entre mim e ti. Aceitas casar comigo? – Adam ajoelhou-se segurando a pequena caixa nas mãos, Kimberly colocou as mãos no rosto e olhou para as pessoas ao redor que esperavam um sim.
− Claro que sim! – Kimberly bateu o pé, apressadamente Adam ergueu-se e colocou o anel no seu dedo esquerdo e beijou-a na frente de todos. Kimberly sentiu o seu vestido ser puxado, era Claire que segurava um coelho de peluche que o pai lhe tinha dado há pouco mais de três meses. Adam segurou a menina nos seus braços, o barulho do entusiasmo das pessoas assustava-a, deitou a sua cabeça na curva do pescoço de Adam.
A pequena convivência entre familiares e amigos passou a ser uma pequena festa, com todos excentricamente a parabenizar os mais recentes noivos. Tendo acabado a festa às duas horas e tal da manhã.


Adam esperava sentado na cama por Kimberly que tomava um banho, embora já fossem três horas da manhã, o sono não vinha, mesmo depois de toda a festa e trabalho.
Kimberly despertou Adam dos seus pensamentos sem nexo com o cheiro que vinha dela e do duche. Ele levantou-se e abraçou-a por trás, cheirando o seu pescoço, ela elevou uma mão ao seu rosto e sorriu.
− Preciso que saias. – Kimberly tirou a sua mão e Adam seguiu a sua ordem.
− Eu disse o porquê de andar estranho nas últimas semanas, e quanto a ti…? – Adam questionou a mulher de cabelos compridos que usava um vestido pijama debaixo de um robe de seda, que continuou sem se prenunciar.
− Bem, eu tenho uma coisa para ti. – Kimberly continuou sem responder, girou sobre os próprios calcanhares com algo em mãos.
− O que é isto? – Adam questionou-se. Rasgou o papel de embrulho e deu de caras com uma caixinha de tamanho pequeno-médio. O espanto e a surpresa formaram-se na sua expressão facial.
A caixa continha uns sapatinhos brancos de bebé e uma ecografia. Lágrimas formaram-se nos olhos de Adam, virou o rosto e beijou a mulher que possuía a seu lado e acariciou a sua barriga.
Claire subiu à cama do casal e deitou-se sempre entre gargalhadas. Adam continuou a acariciar a barriga pequena de Kimberly, descobrindo que este era o motivo da sua má indisposição e mistério, concluindo ao olhar para Claire que também esta sabia.

Fim

16 comentários:

  1. Meu deus! São só os dois primeiros capítulos e eu já estou morrendo! Sério está divino ♥
    Esse final do 2º cap. está maravilhoso :3
    Necessito da atualização logo haha <3
    www.algunsr4biscos.blogspot.com
    PS: O que é "chumbar"? Aqui nunca escutei esse termo e.e

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    1. Hey, gata! Não sabe o quanto isso me põe alegre :'D
      Obrigada, dei o meu melhor!
      Logo, logo haverá atualização!
      P.S. Chumbar? Bom, aqui são utilizados três termos: chumbar, repetir o ano ou reprovar. Eu optei pelo "chumbar"
      Besos

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  2. Oláááá <3 DESCULPE. Eu juro para você que achava que já tinha comentado,mas não tinha :O
    Mas aqui estou 0/
    DEUS DO CÉU! Queria estar viva por que morta já estou!
    Que capitulo é esse? Scrr.
    Mia e Millena parecem minha amigas, sempre tentando me juntar com alguém, entendo a Kim ahsuahs
    "Nem o Paraíso nem o Inferno me podem separar de você" WOOOOW Nessa parte eu já estava morrendo, sério.
    E esse final, com o beijo? Meu Deus! Finalmente aconteceu!
    Continue, preciso saber como a noite termina :3
    Beijos ♥
    PS: Tua escrita é ótima *U*3

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    1. HEY!! Não tem problema! Quem nunca pensou que já tinha comentado e afinal não tinha?
      Kkkk exagerada!
      Mia e Millena são as típicas amigas casamenteiras. Ainda bem que a Kim é compreendida por alguém kkk
      Sério?Porquê? Nem notei U_U!
      Finaly!!! Já não aguentava ver mais esses dois separados pelas palavras curtas? Espere pelos próximos capítulos!
      Ahhh nem faz ideia!
      Besos.
      P.S. Obrigada, Gata!

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  3. MEU DEUS DO CÉU! QUE CAPÍTULO FOFO E SURPREENDENTE!
    Como assim, esse final?
    Quero mais logo! Aguardando em moça? U.U
    Beijos ♥

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    1. Sempre a surpreender, verdade?
      Sim, Adam Sedutor Misterioso, ele não te lembra alguém?
      Com certeza! Hoje tem um capítulo novo!
      Besos

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  4. Té bom, pode me bater! Eu sempre falo "Vou comentar" e acabo por não fazer isso, me perdoe. Faremos o seguinte: não ou prometer, toda vez que faço isso é pior ahsuahsu
    Mas me esforçarei para ficar mais presente aqui, okay?
    Por essa eu não esperava hein? Scrr! Comassim caran? Shippo Amberly shauh
    Safadjenhos e.e
    Mas quem é Alicia cara? Ainda não entendi. Se for outra garota, mdssss, vou falecer!
    Beijos e continueee <33

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    1. Sim, eu vou esfaquear você e puxar seu pé quando estiver a dormir U_U Mentira, não seria capaz te bater, gata.
      Sim, se esforçou! Mas não te vou condenar por tal, porque afinal, eu não sou um grande exemplo.
      Amberly? Gostei! Eu sou FLAWLESS U_U Faço as pessoas shipparem casais secundários lésbicos ahha
      Muito safados, aliás, qualquer ódio pode ser um amor encobrido.
      Alicia? Não vou dizer nada, porque assim não valeria escrever mais escrever o capítulo seguinte. Oops, sim, eu poderei explicar quem é a Alicia nos próximos capítulos.
      Besos, gata!

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  5. PUTA MERDA! P-U-T-A M-E-R-D-A!
    Cara, estava suspeitando que ela estivesse grávida no começo do capítulo, e agora a confirmação?
    Como assim?E agora? Meu Deus e se o Adam largar ela? Isso não pode acontecer, sérião .---.
    Continua, agora, por que eu necessito ahsush
    Beijos ♥

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    1. CALMA, GAROTA! RESPIRA, MENINA!
      Sim, eu dei BASTANTES indícios da possível gravidez dela.
      Adoro essas perguntas com sabor a desespero Kkkk! O que Adam farão?!
      Claro, só precisa do seu comentário para continuar ♥
      Besos ♥ ♥ ♥

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  6. VOLTEIIII! Como você já deve saber, pois comentei na sua ultima postagem :v
    CARA, C-A-R-A, CaRa! Como assim, Adam? Como pode fazer isso?!
    Agora sei quem é Alicia, e entendo o por que dele não querer ser pai, mas ele foi muito maldoso! Será que ele vai assumir? Preciso de mais *uu* " Era sempre assim, todos a querem, mas ninguém tocou o seu coração." Essa frase acabou comigo.
    E esse Richard? Meu Deus, que amorzinho que ele foi! Um pai de verdade ♥
    Estou tentando inventar um shipp amorzinho para a Millena e a Mia, mas os nomes são parecidos, ai complica :/
    E esse passado "cabuloso" da Kelly? Meu Deus, fiquei chocada! Segredos vindo à tona, okay, meu amor por essa fic só cresce :3
    Continue!
    Beijos ♥

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    1. EBA, LARA DE NOVO PARA PARAR O TRÂNSITO!
      Essa era a minha ideia, C-H-O-C-A-R! Adam foi um idiota, certo? Será que ele deixa o "rancor" dele para trás?
      Sim, Alicia apesar de não aparecer como parte dos personagens, é uma peça fundamental da história, sem ela não teria sentido a ação de Adam. Mais não digo ahah
      Sério que acabou consigo? Comigo não fez diferença, por isso é que a coloquei ~ironia~ ahahah
      Sim, Richard é o pai que Kimberly nunca teve.
      Sim, fica complicado, mas o que acha de Miallena? Okay, ficou um pouco esquisito ahah
      Sempre, últimos cap. e os segredos são revelados! Awn obrigada Lara!
      Besos ♥

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  7. Cara... Cara! A fanfic já está no final, não sei o que dizer, apenas sentir...
    "Adam tinha-se sentado na poltrona no lado esquerdo de Kimberly" Agora o nome da fanfic faz mais sentindo <3 <3.
    É tão lindo ver como o amor entre Adam e Kim superou toda essa reviravolta na vida de ambos!
    E ele sendo um amor com Kimberly foi muito lindo :3.
    Mal posso esperar para saber a reação dos outros personagens, e quem sabe... o casamento dos protagonistas :v.
    Enfim, eu amei *u*.
    Beijos ♥.

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    1. Ahaha aguenta coração da Lara!
      O significado do nome é dado ocultamente através do texto, e apesar de "...Na cadeira ai seu lado?" também é uma referencia para que ambos fiquem presentes a vida um do outro, lado a lado.
      Essa fanfic é feita das mais puras reviravoltas da vida <3
      Estava na altura de ele colocar o orgulho para trás...
      O último cap. vai fechar a história dos personagens principais, apenas. Ehh quem sabe??!!
      Bom saber, gata ^_^
      Besos, gata ♥♥

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  8. PERA, PERA, PERA... SÉRIO QUE A FIC ACABOU? MANO, VOLTA. NÃO É POSSÍVEL COMASSIM?
    Vai ter continuação ou uma outra fanfic (se Deus quiser vai ter sim)?
    Não sei o que dizer, apenas sentir...

    Uma das coisas mais incríveis nessa fanfic foi ver a evolução dos personagens. Quem diria que a pequena Kim acabaria amadurecendo, SE CASANDO e formando uma família. Gente, eu terminei de ler os capítulos chorando. Depois de tantas emoções, Kim e Adam acabaram felizes, Milena e Mia juntas... ABAIXA QUE É TIRO.
    A personalidade de cada um é muito cativante e tudo nessa "trama" é muito amorzinho, cara. Os flashbacks, meu Deus ♥.
    APENAS AGUARDANDO UMA CONTINUAÇÃO, ou uma outra fanfic tão maravilhosa como essa!
    Mais uma vez, Cissi: Parabéns!
    Beijos, gata ♥

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    1. SIM, ACABOU, ACABOU O MEU NENÉM!
      Para desespero dos haters vai ter outra fic, SIM!!!!
      R.I.P E Se Eu Sentasse Na Cadeira Ao Seu Lado?

      Eu tentei demonstrar uma evolução nas personagens, só para me certificar que eles não ganhavam o ódio total de quem lê. Quem diria que a Kim iria crescer e formar família com Adam?!COM ADAM!!! Chorando? Caramba, eu sou boa nisto ahahah Sim, decidi dar um pouco de sossego aos pobres que tiveram tantas emoções que pareciam ter sido esmagados por um autocarro ahahah
      É esse o intuito, criar personagens que as pessoas amem, own obrigada linda <3 Acredite, esses personagens e flashbacks vieram de cá do fundo ♥
      Vai ter garota! Só aguarde!
      Obrigada, e obrigada por ser alguém que me incentivou a continuar ♥♥♥♥
      Besos, gata ♥

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